Fim da jornada 6×1 pode impactar produtividade e pequenas empresas no Brasil

Ricardo Alban, presidente da CNI, alerta que mudanças na escala 6×1 sem considerar baixa produtividade podem prejudicar economia e PME

Fim da jornada 6x1 pode impactar produtividade e pequenas empresas no Brasil
Carteira de trabalho digital representa debates sobre jornada 6×1 no Brasil

Presidente da CNI alerta que o fim da jornada 6×1 pode reduzir a produtividade e afetar principalmente pequenas e médias empresas no Brasil.

Impactos do fim da jornada 6×1 na produtividade brasileira

O fim da jornada 6×1 pode alterar significativamente a produtividade do trabalhador brasileiro, como destacou Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante sua participação no WW em 11 de janeiro de 2026. Alban ressaltou que a produtividade do Brasil está entre as mais baixas do mundo, com crescimento médio anual de apenas 0,2% por trabalhador, o que torna qualquer mudança na jornada de trabalho um ponto sensível para a economia.

Consequências para pequenas e médias empresas no país

Uma análise aprofundada revela que as pequenas e médias empresas (PMEs), responsáveis por 52% da capacidade de trabalho no Brasil, seriam as mais afetadas pelo fim da escala 6×1. Alban alertou que essas empresas, já fragilizadas, podem sofrer impactos que comprometam sua sustentabilidade e o emprego que geram, ampliando o desafio econômico. A redução da jornada sem ajustes adequados pode dificultar o funcionamento dessas organizações e reduzir sua competitividade.

Desafios do mercado de trabalho e pleno emprego regional

Alban também destacou o paradoxo do mercado de trabalho brasileiro, em que algumas regiões apresentam pleno emprego, enquanto outras registram maior dependência de programas sociais do que de empregos formais. Essa realidade complexa demanda uma requalificação significativa da mão de obra, elemento essencial para que mudanças na jornada de trabalho, como o fim da 6×1, não agravem o desemprego ou reduzam a produtividade.

Pressões fiscais e eficiência do serviço público como contextos decisivos

Outro ponto crucial para a discussão é a situação fiscal do Brasil, onde as despesas com pessoal representam uma das maiores pressões sobre o orçamento público. Alban questiona a capacidade do Estado em absorver eventuais aumentos de custos provocados pela mudança na jornada, especialmente diante da ineficiência apontada em setores do serviço público. A substituição ou ampliação no quadro de servidores sem ganhos de eficiência pode elevar custos sem melhorar serviços.

Necessidade de debate amplo e critérios para mudanças na jornada

Por fim, o presidente da CNI defende que o debate sobre o fim da jornada 6×1 deve ser conduzido com base em premissas claras e métricas objetivas para garantir ganhos sociais reais e sustentáveis. A complexidade do tema exige diálogo entre setor produtivo, governo e sociedade, considerando a produtividade, o mercado de trabalho e as finanças públicas como elementos centrais para decisões que impactam o futuro econômico do Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br