Valorização internacional contrasta com recuo dos preços domésticos da soja entre dezembro e fevereiro

Preços da soja sobem na bolsa de Chicago e caem no mercado interno brasileiro entre dezembro e fevereiro.
Dinâmica dos preços da soja entre dezembro e fevereiro
A análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário revela que os preços da soja tiveram comportamentos distintos entre o mercado externo e interno entre 19 de dezembro e 12 de fevereiro. Na bolsa de Chicago, os preços da soja apresentaram recuperação notável no período, chegando a US$ 11,37 por bushel em 12 de fevereiro, após uma queda temporária em janeiro. Este movimento foi influenciado por fatores como a valorização do petróleo e tensões geopolíticas globais, que contribuíram para a valorização do óleo de soja em dólar.
Impactos das condições climáticas e produção no Rio Grande do Sul
Embora a recuperação internacional seja expressiva, as condições climáticas no Rio Grande do Sul afetaram a produção local da soja. A região sofreu perdas significativas causadas por calor excessivo e falta de chuvas, com relatos de redução de até 40% em algumas propriedades. A expectativa de safra, inicialmente estimada em 21,4 milhões de toneladas, foi revista para abaixo de 20 milhões de toneladas. Essa diminuição na oferta afetou o mercado interno e contribuiu para a queda dos preços em reais.
Razões para o recuo dos preços da soja no mercado brasileiro
No Brasil, os preços da soja recuaram entre dezembro e fevereiro, com o saco de 60 quilos reduzindo de uma faixa entre R$ 116,00 e R$ 127,00 para valores entre R$ 99,00 e R$ 117,00. A valorização do real frente ao dólar, que passou de R$ 5,57 para R$ 5,18, impactou negativamente as cotações domésticas. Além disso, o avanço da colheita aumentou a oferta disponível, enquanto os prêmios portuários diminuíram em função da entrada da nova safra, pressionando os valores internos para baixo.
Influência das políticas comerciais e projeções globais
No contexto internacional, declarações políticas, como as do presidente dos Estados Unidos sobre futuras compras de soja pela China em 2026, mexeram com as expectativas do mercado. Paralelamente, o relatório do USDA de 10 de fevereiro manteve a previsão da colheita dos EUA em 116 milhões de toneladas e os estoques finais em 9,5 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No cenário global, houve aumento na produção para 428,2 milhões de toneladas e nos estoques finais para 125,5 milhões. A China manteve estáveis suas importações no nível de 112 milhões de toneladas, refletindo a demanda contínua pelo produto.
Perspectivas e desafios para o mercado da soja no Brasil
A divergência entre o mercado internacional e o brasileiro de soja apresenta desafios para produtores e agentes da cadeia produtiva. Enquanto a valorização internacional sugere oportunidades, o avanço da colheita e as condições internas, como a valorização cambial e redução dos prêmios, indicam pressão sobre os preços domésticos. A qualidade e a quantidade da safra brasileira, especialmente em regiões afetadas pelo clima, serão fatores decisivos para a consolidação do cenário de preços e para a competitividade do Brasil no mercado global.
Fonte: www.agrolink.com.br





