Casos recentes evidenciam a persistência do machismo que justifica violência contra filhos como forma de castigar a mãe
Casos recentes revelam como o assassinato de filhos para punir mulher expressa uma lógica machista de honra que ainda persiste na sociedade.
Assassinato de filhos para punir mulher expõe lógica da honra masculina
O assassinato de filhos para punir mulher tem sido uma expressão cruel da lógica da honra masculina, um tema que voltou a ganhar destaque em casos recentes no Brasil, como os ocorridos no Rio Grande do Sul e em Itumbiara, Goiás. Em 13 de fevereiro de 2026, o filho caçula de Thales Machado, secretário de Governo de Itumbiara, foi morto pelo próprio pai, que posteriormente cometeu suicídio. Essa tragédia está inserida em um contexto maior de violência motivada por ciúmes e ressentimentos masculinos, onde os filhos se tornam vítimas para causar sofrimento às mães.
Contexto histórico e cultural da lógica da honra masculina
A lógica da honra masculina, que legitima violência para proteger a reputação do homem, tem raízes profundas. Esse pensamento foi combatido legalmente com a revogação da legítima defesa da honra pelo Supremo Tribunal Federal em 2023. No entanto, culturalmente, ainda persiste a ideia de que o homem tem o direito de reagir violentamente quando sente sua honra ferida, inclusive através de crimes contra filhos e parceiras. A tragédia da figura mítica Medeia, que matou os próprios filhos para punir o marido, ilustra esse padrão de comportamento que atravessa milênios, perpetuando uma visão distorcida sobre masculinidade e poder.
Análise dos casos recentes e suas implicações sociais
Os casos de David Lemos e Thales Machado revelam como o machismo e a misoginia se manifestam em atos extremos de violência. David Lemos foi condenado pela Justiça gaúcha por matar seus quatro filhos após o divórcio. Já Thales Machado, motivado por ciúmes e suspeita de traição, atentou contra seus filhos e tirou a própria vida. Essas situações evidenciam como o ressentimento masculino pode levar à destruição da própria prole como forma de punir a mãe, um ato que a sociedade normalmente tenta justificar ou compreender sob argumentos falhos, como o ciúme ou surto, enquanto culpabiliza a mulher.
A influência das redes sociais na percepção do crime
As redes sociais têm sido palco para a disseminação de narrativas que reforçam a lógica da honra masculina, muitas vezes culpabilizando a mãe e justificando o agressor. Vídeos e postagens que exploram supostas traições ou falhas maternas acumulam milhares de curtidas, reforçando estereótipos e preconceitos. Essa reação pública cria um ambiente em que o feminicídio indireto – a morte dos filhos com o objetivo de ferir a mãe – é minimizado ou relativizado, dificultando o combate efetivo à violência de gênero e a proteção das vítimas.
Desafios para a justiça e a sociedade na erradicação dessa lógica
Apesar dos avanços legais, como a revogação da legítima defesa da honra, ainda é urgente enfrentar a cultura que permite a relativização da violência contra mulheres e filhos. A responsabilização dos agressores não pode ser enfraquecida por argumentos que culpabilizam as vítimas, sejam as mulheres ou seus filhos. É fundamental promover debates e políticas públicas que desconstruam a lógica da honra masculina, fortalecendo a proteção das vítimas e a conscientização social sobre as consequências desses crimes. O enfrentamento desse desafio exige mudança cultural e compromisso de múltiplos setores da sociedade.





