Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças durante carnaval no Rio de Janeiro

Trabalhadoras que atuam como ambulantes exigem espaços seguros e serviços para cuidar dos filhos enquanto trabalham nos blocos da cidade

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças durante carnaval no Rio de Janeiro
Mães ambulantes cuidam dos filhos enquanto trabalham vendendo bebidas no carnaval do Rio de Janeiro.

Mães ambulantes do Rio de Janeiro pedem pontos de apoio para crianças durante o carnaval, buscando melhores condições para cuidar dos filhos enquanto trabalham.

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças durante o carnaval no Rio de Janeiro

As mães ambulantes pontos de apoio carnaval são uma das principais demandas do grupo de trabalhadoras que atuam nos blocos do Rio de Janeiro durante a folia. Em 2026, o carnaval representa o maior faturamento do ano para essas ambulantes, que precisam enfrentar longas jornadas sob o sol escaldante e ainda cuidar de seus filhos, muitas vezes sem qualquer suporte. Taís Aparecida Epifânio Lopes, moradora da favela do Arará, é um exemplo dessa realidade, levando a filha de 4 anos junto para a Zona Sul da cidade para vender bebidas e garantir a renda necessária para sua família.

Espaço de convivência para crianças: uma conquista parcial no carnaval 2026

Para amenizar as dificuldades, o Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência articulou com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura do Rio a criação de um espaço de convivência para crianças entre 4 e 12 anos, localizado próximo à Sapucaí. O local funciona entre 18h e 6h durante as noites de desfile, oferecendo atividades lúdicas, alimentação, banho e descanso para cerca de 20 crianças por noite. Taís e outras mães já experimentaram o alívio de deixar seus filhos neste ambiente, que proporciona segurança e conforto enquanto elas trabalham na rua.

Condições precárias enfrentadas pelas ambulantes durante o carnaval

Apesar do avanço, as ambulantes ainda relatam situações precárias, como a ausência de banheiros adequados, falta de proteção contra o sol e a necessidade de dormir na rua ou debaixo de marquises após longas horas de trabalho. Lílian Conceição Santos, que atua no Largo da Carioca, divide seu tempo entre cuidar de três crianças e vender produtos como biscoitos e bebidas, enfrentando a dificuldade de manter as crianças entretidas e seguras em espaços improvisados e inseguros.

Atendimento ampliado para as ambulantes: Centro do Catador como espaço de apoio

Além do espaço para crianças, o Movimento Elas por Elas conseguiu incluir as ambulantes no Centro do Catador, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima voltada para catadores de material reciclável, que funciona próximo à Sapucaí. Neste local, as mulheres podem descansar, se alimentar, tomar banho e até pernoitar, o que representa um avanço para reduzir o desgaste físico durante o carnaval. Essa iniciativa contou com o apoio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e foi destacada pela deputada Dani Monteiro (PSol) como um reconhecimento do papel das ambulantes na economia da cidade.

Invisibilidade das mães ambulantes e necessidade de políticas públicas específicas

Caroline Alves da Silva, líder do movimento Elas por Elas, destaca que a maioria das ambulantes são mulheres negras, mães solo e que enfrentam invisibilidade no cenário do carnaval. Elas carregam carrinhos pesados sob o calor, vendem nas ruas e, mesmo assim, não recebem o apoio necessário em termos de equipamentos básicos de proteção, como guarda-sol, chapéus e camisas com proteção UV. O movimento reivindica diálogo com a prefeitura e a instalação de pontos de apoio maiores, próximos aos locais onde atuam, para garantir seus direitos como trabalhadoras e proteger suas crianças.

Desafios sociais e segurança das crianças durante o carnaval

Além das questões de infraestrutura e condições de trabalho, há preocupações com a segurança das crianças nas ruas, principalmente em áreas afetadas por conflitos armados e tráfico de drogas, como apontado por Taís em sua comunidade. O vereador Leniel Borel publicou vídeos denunciando a exposição de crianças e adolescentes no trabalho ambulante à noite, alertando para os riscos de abordagens abusivas e desaparecimentos. A Secretaria Municipal de Assistência Social afirmou realizar ações permanentes e específicas durante o carnaval para prevenir o trabalho infantil, mas não detalhou as iniciativas.

Conclusão: avanços e demandas para futuras edições do carnaval

O carnaval de 2026 no Rio de Janeiro trouxe avanços na criação de espaços de apoio para mães ambulantes e seus filhos, garantindo um mínimo de conforto e segurança durante os períodos de trabalho intenso. No entanto, as demandas por ampliação desses serviços, melhores condições de trabalho, proteção social e reconhecimento do papel dessas mulheres ainda são urgentes. A mobilização do Movimento Elas por Elas e o diálogo com órgãos públicos apontam para a necessidade de políticas públicas que incluam as mães ambulantes como sujeitos de direitos, valorizando sua contribuição para a economia da festa e garantindo o cuidado das crianças envolvidas nesse cenário.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br