Presidente aponta contradição na participação dos membros permanentes em conflitos armados e destaca papel dos Brics para reequilibrar a geopolítica

Lula critica membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU por envolvimento em guerras e defende papel dos Brics na ordem geopolítica.
Lula critica integrantes do Conselho de Segurança da ONU por guerras e defende papel dos Brics
No dia 22 de fevereiro de 2026, durante entrevista concedida na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou com veemência a atuação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Segundo Lula, esses países são os principais responsáveis por fabricar armas e participar dos conflitos armados que assolam o mundo, o que representa uma grave contradição para o órgão que deveria garantir a paz internacional. Ele destacou que o Conselho não tem se reunido para discutir os conflitos, tornando muito difícil a manutenção da estabilidade global.
O presidente Lula enfatizou que o envolvimento direto das potências permanentes em guerras mina a credibilidade e eficácia do Conselho de Segurança da ONU. De acordo com ele, essa situação gera um ambiente complexo para a preservação da ordem mundial, exigindo uma urgente reforma na governança global. Nesse contexto, mencionou o papel que o grupo dos Brics pode desempenhar como força emergente do Sul Global para reequilibrar a geopolítica mundial.
Os Brics como alternativa para o reequilíbrio da ordem geopolítica
Lula defendeu que os Brics, que reúnem países em desenvolvimento do Hemisfério Sul, têm potencial para fortalecer o debate sobre paz e políticas econômicas internacionais. Ele acredita que a ampliação do protagonismo desse grupo pode contribuir para uma governance global mais justa e representativa, capaz de enfrentar as atuais crises multilaterais. O presidente destacou a importância de fortalecer os mecanismos internacionais e aprimorar a representatividade das instituições para alcançar uma estabilidade duradoura.
No discurso, Lula também ressaltou que o mundo enfrenta um dos períodos mais conflituosos desde a Segunda Guerra Mundial, com um volume crescente de recursos destinados à indústria bélica. Essa realidade, segundo ele, compromete as possibilidades de diálogo e resolução pacífica dos conflitos.
Detalhes da visita oficial à Índia e agenda internacional de Lula
A entrevista foi concedida ao término da visita oficial de Lula à Índia, iniciada em 19 de fevereiro de 2026. Durante sua estada, o presidente encontrou-se com o primeiro-ministro Narendra Modi, participou de um fórum sobre inteligência artificial e manteve reuniões bilaterais com líderes como Emmanuel Macron, Anura Kumara Dissanayake e Andrej Plenković. Também conversou com Sundar Pichai, CEO do Google.
No dia 22 de fevereiro, Lula embarcou para Seul, na Coreia do Sul, onde tem previsto encontro com o presidente Lee Jae Myung e executivos de grandes empresas sul-coreanas, antes de retornar ao Brasil no dia 24.
Contexto global e desafios para a paz segundo Lula
A análise feita pelo presidente evidencia o desafio enfrentado pela comunidade internacional para garantir a paz em um cenário onde as maiores potências permanecem ativas em conflitos militares. A crítica ao Conselho de Segurança da ONU revela questionamentos importantes sobre a eficácia das estruturas multilaterais atuais e abre espaço para debates sobre reformas profundas.
Além disso, Lula manifesta preocupação com a escalada dos gastos militares, que segundo ele desviam recursos essenciais para o desenvolvimento e cooperação entre os países. Ao destacar o papel dos Brics, o presidente sinaliza um movimento por uma multipolaridade mais equilibrada, capaz de oferecer alternativas frente à hegemonia tradicional das potências permanentes.
Perspectivas para a governança global e multilateralismo
O discurso do presidente brasileiro reforça a necessidade de ampliar a representatividade das instituições internacionais e fortalecer o multilateralismo como instrumento para a resolução de conflitos e promoção do desenvolvimento sustentável. Essa posição aponta para uma agenda diplomática focada em maior inclusão e equilíbrio entre os blocos globais, com especial atenção ao Sul Global.
A proposta de Lula de utilizar o grupo dos Brics como plataforma para reequilibrar as relações internacionais sugere um reposicionamento estratégico do Brasil no cenário global, buscando maior protagonismo e capacidade de influência em assuntos de segurança e econômicos.
Esses posicionamentos ocorrem em um momento de intensas transformações geopolíticas, em que o papel das organizações multilaterais é cada vez mais contestado e demandado por reformas para responder aos desafios do século XXI.





