Empresas da China ampliam presença para atender mercado brasileiro diante do leilão federal previsto para 2026

Leilão de baterias no Brasil atrai grandes fabricantes chinesas que ampliam investimentos para atender a demanda crescente.
A relevância do leilão de baterias no Brasil para o mercado energético
O leilão de baterias no Brasil, previsto para ocorrer em 2026, representa uma oportunidade estratégica para a expansão do setor de armazenamento energético no país. O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, planeja certame com demanda de 2 GW de sistemas entregues a partir de 2028, com disponibilidade de quatro horas diárias. Esta iniciativa visa atender à crescente necessidade de empresas brasileiras que buscam alternativas para mitigar o impacto dos altos preços da energia elétrica, sobretudo no início das noites.
Estratégias das fabricantes chinesas para disputar o leilão de baterias
Grandes fabricantes chinesas, como Sungrow, BYD, CATL, Huawei e outras, adotam estratégias claras para o leilão de baterias no Brasil. A abordagem predominante é atuar como fornecedoras exclusivas dos sistemas de armazenamento (BESS), evitando participação direta em consórcios. Essa postura permite que essas empresas estabeleçam parcerias com os players locais que participarão da competição, ofertando suas soluções tecnológicas e financeiras separadamente. Essa estratégia visa ampliar o alcance e a penetração no mercado brasileiro, aproveitando as vantagens competitivas que possuem em termos de preço e escala produtiva.
Impacto dos custos e vantagens competitivas da indústria chinesa
Segundo análises de consultorias especializadas, a indústria chinesa de sistemas BESS apresenta preços significativamente inferiores aos concorrentes europeus e americanos, com custos médios por kWh muito mais competitivos. Essa vantagem se deve à capacidade de produção em larga escala e a uma cadeia produtiva consolidada, fatores que conferem à China posição de destaque global na tecnologia de armazenamento de energia. Tal cenário, contudo, pode desafiar os fabricantes nacionais, que enfrentam custos maiores e recente estruturação produtiva para competir no leilão e nos contratos subsequentes.
Perspectivas financeiras e investimentos bilionários em armazenamento de energia
O mercado brasileiro de armazenamento de energia deve mobilizar investimentos substanciais, estimados em R$ 45 bilhões até 2030 e R$ 77 bilhões até 2034, conforme projeções da Absae. O leilão anunciado pelo governo é um dos principais vetores para esse crescimento, com previsão de movimentar R$ 13,9 bilhões. Empresas chinesas com grande capacidade financeira, como a TBEA, oferecem até modelos de financiamento para clientes estratégicos, facilitando a implementação dos sistemas de armazenamento. Paralelamente, fabricantes brasileiras como WEG e Moura buscam fortalecer sua presença e competitividade nesse cenário em transformação.
Desafios regulatórios e tributários para o mercado nacional de baterias
No início de 2026, o governo federal elevou a alíquota de imposto de importação sobre equipamentos tecnológicos, incluindo sistemas de armazenamento de energia, de 16% para 20%. Essa medida impacta diretamente o custo final das baterias, tanto para produtos importados quanto para os fabricados no Brasil, já que grande parte dos componentes é importada. Esses fatores regulatórios e tributários podem influenciar a dinâmica da competição e o desenvolvimento da indústria local, exigindo ajustes estratégicos das empresas e políticas públicas que equilibrem proteção industrial e competitividade.
O papel das empresas brasileiras e a importância da operação local
Apesar da forte presença chinesa, fabricantes brasileiras como WEG e Moura têm potencial para se destacar, principalmente pela capacidade de operar e manter os sistemas localmente. A experiência de empresas chinesas como Huawei e BYD, já instaladas no Brasil, demonstra que a presença física e o suporte técnico são elementos-chave para o sucesso no mercado. A combinação entre tecnologia avançada, estrutura local e estratégias comerciais adaptadas será fundamental para a consolidação das empresas nacionais no segmento de armazenamento de energia.
Conclusão: o futuro do mercado de baterias no Brasil e os desafios da competitividade
O leilão de baterias no Brasil abre um capítulo decisivo para a expansão da infraestrutura energética sustentável no país. A competitividade acirrada entre fabricantes chineses, brasileiros e internacionais promete acelerar investimentos e inovação tecnológica. No entanto, os desafios tributários, a necessidade de desenvolvimento da cadeia produtiva local e a busca por soluções financeiras adequadas serão determinantes para que o Brasil alcance autonomia e eficiência na gestão do seu sistema de armazenamento energético.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





