Redução na área plantada reflete queda nos preços e mudanças no uso do solo no estado

A área de soja em Santa Catarina deve diminuir 1,64% na safra 2025/26, impactada pela queda dos preços e substituição por outros cultivos.
Contexto da área de soja em Santa Catarina para a safra 2025/26
A área de soja em Santa Catarina deve recuar 1,64% na safra 2025/26, refletindo uma mudança importante no cenário agrícola do estado. Essa redução ocorre após mais de dez anos consecutivos de expansão da cultura, sendo influenciada principalmente pela oscilação dos preços e pela realocação de áreas para cultivos como milho-grão, silagem e tabaco. Segundo dados da Epagri/Cepa, a retração dos preços desde 2024 e 2025 explica esse comportamento, afetando diretamente a decisão dos produtores na escolha das culturas.
Análise dos preços e oferta global que influenciam a área plantada
Os preços da soja ao produtor em Santa Catarina têm apresentado volatilidade desde agosto de 2025. A média mensal manteve-se próxima de R$ 125,00 por saca, com uma queda de 3,7% registrada em janeiro, quando o valor chegou a R$ 120,70. Essa tendência de queda foi reforçada pelo aumento da produção mundial, com o USDA elevando a estimativa para 435,6 milhões de toneladas em janeiro de 2026, o que pressionou os preços para R$ 116,00 em algumas praças até o começo de fevereiro. A alta oferta global, especialmente de países da América Latina, acentuou essa queda, gerando um ambiente desafiador para os produtores catarinenses.
Condições das lavouras e impacto das condições climáticas recentes
Até a primeira semana de fevereiro de 2026, 100% da área destinada à soja havia sido semeada em Santa Catarina. Cerca de 67% das lavouras estavam em estágio vegetativo, enquanto 29% encontravam-se em floração e enchimento de grãos. A condição geral das plantações foi avaliada como 90% boa. No entanto, o oeste do estado enfrentou um período seco nos últimos trinta dias, com chuvas abaixo de 50 milímetros, provocando manchas de estresse hídrico e início de secamento em pontos específicos. Essas condições climáticas adversas podem comprometer o potencial produtivo, especialmente nas regiões em que a soja está em fase crítica de enchimento de grãos.
Mudanças no uso do solo e alternativas ao cultivo da soja
A retração na área de soja está diretamente associada ao aumento do cultivo de milho-grão, silagem e tabaco, especialmente no sul de Santa Catarina. Produtores têm buscado diversificar suas atividades agrícolas em resposta à queda dos preços da soja e à necessidade de otimizar o uso do solo. Essa diversificação pode trazer impactos econômicos e ambientais variados, além de influenciar a dinâmica do mercado regional de grãos.
Exportações do complexo soja e desafios no mercado internacional
No acumulado de 2025, Santa Catarina exportou 1,68 milhão de toneladas do complexo soja, volume 4,18% superior ao ano anterior. Apesar do aumento em quantidade, o valor das exportações caiu 0,47%, somando 707 milhões de dólares, devido à combinação do volume embarcado e à queda da cotação internacional. Esse cenário reforça os desafios enfrentados pelos produtores locais em um mercado global competitivo e volátil.
Perspectivas para a soja em Santa Catarina em 2026
A área de soja em Santa Catarina para a safra 2025/26 indica uma tendência de retração, impulsionada por fatores econômicos e ambientais. O sucesso da safra dependerá da capacidade dos produtores em manejar as condições climáticas variáveis, bem como da recuperação dos preços internacionais da soja. A diversificação das culturas pode amenizar riscos, mas representa uma mudança relevante no perfil agrícola do estado, que historicamente ampliou sua produção de soja por mais de uma década.
Fonte: www.agrolink.com.br





