Presidente reforça necessidade de revisão da escala de trabalho em fórum na Coreia do Sul

Presidente Lula defende o fim da jornada 6×1 para assegurar dois dias de descanso semanal aos trabalhadores brasileiros.
Durante a cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, o presidente Lula defendeu publicamente o fim da jornada 6×1, modalidade de trabalho vigente em algumas regiões do Brasil. Segundo o chefe do Executivo, o momento atual, marcado pelo avanço tecnológico que permite maior produtividade, é propício para a revisão desse modelo e para assegurar que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal. Lula destacou que essa mudança é essencial para promover o bem-estar e a qualidade de vida da população trabalhadora.
Contexto histórico e impacto da tecnologia na jornada de trabalho
A jornada 6×1, que prevê seis dias de trabalho seguidos por apenas um dia de descanso, tem sido alvo de críticas por especialistas e trabalhadores, especialmente considerando o cenário contemporâneo de produção e tecnologia. Lula ressaltou que, com a automação e os avanços tecnológicos, é possível atingir níveis inéditos de produtividade, o que justifica a necessidade de repensar normas laborais que já não refletem a realidade atual. Essa transformação busca equilibrar o ritmo de trabalho com o descanso adequado, evitando o desgaste excessivo dos profissionais.
Referência ao pensamento do filósofo Byung-Chul Han sobre sociedade e trabalho
No discurso, o presidente citou o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han para embasar a defesa do fim da jornada 6×1. Han descreve a sociedade contemporânea como uma “sociedade do cansaço”, onde a pressão constante por desempenho compromete o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Essa perspectiva ressalta a importância de políticas públicas e reformas legislativas que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis, alinhados com as necessidades humanas e sociais.
Prioridade legislativa no Brasil para 2026 na pauta da jornada 6×1
A proposta de acabar com a jornada 6×1 tornou-se uma prioridade na agenda legislativa do governo para 2026. No Congresso Nacional, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs 8/2025 e 221/2019) estão sob análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, com o presidente Leur Lomanto Jr. comprometido em conduzir o debate de forma equilibrada. No Senado, a PEC 148/2015, do senador Paulo Paim, já foi aprovada na CCJ e aguarda votação em Plenário. O governo também trabalha em uma proposição unificadora para consolidar as principais iniciativas em tramitação.
Implicações para o trabalhador e sociedade brasileira
O fim da jornada 6×1 pode representar um avanço significativo para a saúde física e mental dos trabalhadores brasileiros, ao garantir o direito a dois dias consecutivos de descanso, favorecendo a recuperação e o convívio social e familiar. Além disso, a mudança pode influenciar positivamente a produtividade a longo prazo, ao reduzir o desgaste e o absenteísmo. A discussão envolve múltiplos setores, incluindo empresários, legisladores e trabalhadores, que buscam um modelo mais justo e eficaz para o mercado de trabalho no Brasil.
Desafios para implementação e expectativa no Congresso
Apesar do consenso crescente sobre a necessidade de mudança, a tramitação das PECs enfrenta desafios políticos e técnicos. O equilíbrio entre interesses econômicos e sociais será determinante para o avanço da proposta. O compromisso do governo federal e líderes legislativos, como Hugo Motta e Leur Lomanto Jr., sinaliza um esforço para viabilizar a aprovação das reformas, que poderão impactar diretamente a rotina de milhões de trabalhadores no país a partir de 2026.





