Encontro internacional em Brasília reúne líderes para discutir estratégias e promover cooperação técnica na alfabetização aos 7 anos

Líderes latino-americanos debatem em Brasília a criação de rede para garantir a alfabetização na idade certa, aos 7 anos, e superar desigualdades históricas.
Encontro internacional em Brasília propõe rede permanente para alfabetização na idade certa
Nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026, Brasília recebeu lideranças governamentais, acadêmicos e representantes da sociedade civil da América Latina para discutir a criação de uma rede permanente pela alfabetização na idade certa, que visa garantir que as crianças estejam alfabetizadas aos 7 anos. O ministro interino da Educação do Brasil, Leonardo Barchini, ressaltou que a alfabetização é um instrumento essencial para superar as profundas desigualdades históricas e construir um futuro mais justo e soberano para a região.
Modelo brasileiro e avanços na alfabetização infantil
Barchini destacou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), uma iniciativa que integra esforços da União, estados e municípios para assegurar a alfabetização até o fim do 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, o índice nacional alcançou 59,2%, aproximando-se da meta de 60%. O desafio para 2030 é que ao menos 80% das crianças estejam alfabetizadas nessa etapa. O ministro enfatizou também a importância do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para mapear desigualdades e direcionar políticas públicas, apontando que ainda existem lacunas em infraestrutura escolar e na formação continuada dos professores alfabetizadores.
Impactos regionais e experiências exitosas na América Latina
Durante o encontro, representantes de diversos países compartilharam avanços e desafios. Sofia Naidenoff, ministra da educação da província do Chaco, Argentina, relatou melhorias significativas com a implementação de seu Plano da Jurisdição da Alfabetização, que levou livros e materiais pedagógicos a milhares de crianças. No México, Xóchitl Leticia Moreno Fernández apresentou o Plano de Estudos de 2022, que valoriza as línguas indígenas e a diversidade cultural, ao produzir materiais específicos para o ensino bilíngue. No Peru, Luis Guillermo Lescano Sáenz enfatizou a necessidade de políticas educacionais estáveis e continuidade governamental para reduzir as brechas históricas. Sebastián Valdez, do Uruguai, destacou o compromisso social com a educação universal, mesmo diante de limitações orçamentárias.
Desafios da alfabetização digital e a formação docente
O encontro também destacou a urgência de integrar a alfabetização digital ao processo tradicional, reconhecendo que a tecnologia deve acompanhar o desenvolvimento educacional ao longo da vida. Leonardo Barchini afirmou que a alfabetização digital precisa ser combinada com a tradicional para ampliar as oportunidades das crianças e professores, preparando-os para os desafios contemporâneos. A formação adequada e continuada dos docentes foi apontada como um dos principais desafios para melhorar a qualidade do aprendizado na região.
Alfabetização como direito fundamental e ferramenta de superação de desigualdades
A discussão reafirmou que a alfabetização na idade certa é um direito fundamental e um elemento chave para a cidadania plena, permitindo que os indivíduos leiam, escrevam e compreendam o mundo ao seu redor. Ao fortalecer a democracia, a alfabetização contribui para a participação social, econômica e política dos cidadãos. O encontro internacional em Brasília contou ainda com transmissão ao vivo e tradução simultânea em português, espanhol e Libras, ampliando o acesso ao debate e ao conhecimento.
Este movimento conjunto demonstra que a cooperação técnica e o diálogo intergovernamental são cruciais para enfrentar os desafios educacionais históricos da América Latina, promovendo um futuro mais equitativo e sustentável para as novas gerações.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br





