Moraes vota por condenar irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco

Ministro Alexandre de Moraes sustenta condenação por duplo homicídio qualificado e organização criminosa em julgamento no STF

Moraes vota por condenar irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco
Sessão do Supremo Tribunal Federal durante julgamento do caso Marielle Franco

Ministro Alexandre de Moraes vota pela condenação dos irmãos Brazão por duplo homicídio qualificado no caso Marielle Franco.

Contexto e posicionamento do ministro Alexandre de Moraes no julgamento

O ministro Alexandre de Moraes iniciou seu voto no julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes afirmando que as provas materiais e testemunhais apresentam fundamentação suficiente para condenar os irmãos Brazão por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio. Segundo o relator, a organização criminosa liderada pelo grupo possui vínculos funcionais e atua por meio de loteamentos irregulares, o que evidencia a motivação política e econômica dos crimes. Moraes destacou ainda que o domínio territorial exercido pela milícia visa impedir campanhas de candidatos contrários aos interesses do grupo.

Detalhes da acusação contra os irmãos Brazão e outros réus

No voto, Moraes atribuiu a Domingos Brazão e João Francisco Brazão a responsabilidade pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e participação em organização criminosa. Além deles, o major Ronald Alves foi acusado de monitorar as atividades de Marielle Franco e fornecer informações essenciais para a execução do crime. Robson Calixto Fonseca também foi reconhecido como participante da organização criminosa armada, enquanto o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa foi apontado por obstrução da justiça e corrupção passiva, embora excluído da autoria direta do triplo homicídio por ausência de provas específicas.

Motivações políticas, raciais e misóginas no assassinato de Marielle Franco

Moraes enfatizou que a vereadora Marielle Franco representava um obstáculo para os interesses da milícia no Rio de Janeiro, especialmente por sua atuação contra loteamentos irregulares. O ministro ressaltou, ainda, que a mudança do alvo inicial do deputado Marcelo Freixo para Marielle teve componentes misóginos e racistas, pois Marielle era uma mulher preta e pobre que desafiava o poder das milícias. O relator também mencionou o depoimento do ex-policial Ronnie Lessa, que detalhou as motivações e confirmou a preocupação dos mandantes com a repercussão do crime, o que levou a uma série de “queimas de arquivo”.

Provas apresentadas e estratégias da organização criminosa

Entre as evidências citadas no voto de Moraes estão documentos relativos ao veículo usado no assassinato, ligações funcionais entre os acusados e operações em terrenos irregulares. As testemunhas confirmaram tanto a participação dos réus como a existência de uma organização criminosa estruturada com divisão de tarefas e objetivo de manter domínio econômico e político sobre certas regiões, impedindo a campanha de adversários políticos. A Procuradoria-Geral da República destacou que o assassinato estava diretamente ligado à oposição de Marielle aos interesses do grupo político dos irmãos Brazão.

Andamento do julgamento e próximos passos no STF

O julgamento teve início com as sustentações orais das partes no dia 24 de fevereiro. Após o voto do relator Alexandre de Moraes, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino devem apresentar seus votos para a definição do resultado. O colegiado da Primeira Turma do STF conta com quatro ministros, em razão da saída de Luiz Fux para a Segunda Turma. Os réus, todos presos preventivamente, respondem por crimes graves relacionados à organização criminosa e aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br