Senado reforça proteção para vítimas menores de 14 anos em caso de estupro

Projeto estabelece vulnerabilidade absoluta para menores de 14 anos, eliminando discussão sobre consentimento e experiência sexual

Senado reforça proteção para vítimas menores de 14 anos em caso de estupro
Plenário do Senado durante votação do projeto que garante vulnerabilidade absoluta para menor de 14 anos

O Senado aprovou projeto que considera absoluta a vulnerabilidade para menores de 14 anos em casos de estupro, eliminando discussões sobre consentimento.

Senado aprova vulnerabilidade absoluta para menor de 14 anos em casos de estupro

O Senado aprovou em 25 de fevereiro de 2026 o Projeto de Lei (PL) 2195/2024, que estabelece a vulnerabilidade absoluta para menor de 14 anos na caracterização do crime de estupro. A alteração visa garantir que a aplicação das penas por estupro de vulnerável ocorra independentemente da experiência sexual anterior da vítima ou da ocorrência de gravidez. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi uma das principais defensoras da iniciativa.

Alterações no Código Penal e seus impactos jurídicos

O projeto modifica o artigo 217-A do Código Penal para explicitar que ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável, com pena de oito a 15 anos de reclusão. Essa mudança elimina qualquer possibilidade de questionamento sobre o consentimento ou a experiência sexual da vítima. Segundo a relatora, essa presunção absoluta impede interpretações judiciais que possam diminuir a gravidade do crime ou revitimizar a pessoa agredida, conferindo maior clareza e segurança à legislação penal.

Contexto e motivação para a aprovação do projeto

A aprovação do PL 2195/2024 surge após repercussão negativa de decisões judiciais que absolveram acusados de estupro contra menores de 14 anos com base em argumentos controversos, como a existência de relacionamento amoroso entre réu e vítima. Um caso emblemático ocorreu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, envolvendo uma menina de 12 anos e um homem de 35 anos, cuja absolvição foi contestada e posteriormente revertida após recurso do Ministério Público. O episódio evidenciou a necessidade de reforçar a proteção legal para vítimas vulneráveis.

Repercussões sociais e legais da nova regra aprovada pelo Senado

Ao estabelecer a vulnerabilidade absoluta para menores de 14 anos, o Senado pretende fortalecer a proteção dos direitos das crianças e adolescentes, alinhando-se a entendimentos consolidados em súmulas do Superior Tribunal de Justiça. A medida contribui para evitar interpretações que possam minimizar os efeitos do estupro e reforça a repressão a esse tipo de crime. Especialistas destacam que a legislação passa a proteger de forma mais eficaz quem não possui capacidade legal para consentir, promovendo justiça e segurança jurídica.

Próximos passos para a sanção presidencial e implementação da lei

Com a aprovação unânime no Senado, o projeto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que, uma vez sancionada, a lei passe a ser aplicada imediatamente, garantindo que casos de estupro contra menores de 14 anos sejam julgados com base na nova presunção legal. A iniciativa representa um avanço importante no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, fortalecendo o marco legal e contribuindo para políticas públicas mais eficazes.