CPMI do INSS investiga Paulo Camisotti e vota requerimentos cruciais

Comissão ouve filho de empresário preso por fraudes e decide sobre quebras de sigilo nesta quinta-feira

CPMI do INSS investiga Paulo Camisotti e vota requerimentos cruciais
Reunião da CPMI do INSS para ouvir investigados no esquema de fraudes Foto:

A CPMI do INSS ouve Paulo Camisotti e vota requerimentos importantes para avançar na investigação das fraudes no instituto.

CPMI do INSS ouve Paulo Camisotti nesta quinta-feira para aprofundar investigação

A CPMI do INSS realiza nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a oitiva de Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, que está preso desde setembro de 2025 por suspeitas de envolvimento em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. Paulo Camisotti é citado na Operação Sem Desconto da Polícia Federal como sócio de empresas que receberam recursos de associações envolvidas em esquemas ilícitos relacionados a descontos indevidos em benefícios previdenciários. A investigação aponta que a empresa Rede Mais Saúde, ligada à família Camisotti, movimentou R$ 18 milhões entre agosto de 2023 e maio de 2024.

Contexto e impacto da Operação Sem Desconto nas investigações do INSS

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025, revelou um esquema de descontos não autorizados aplicados a benefícios do INSS durante o período de 2019 a 2024. A operação resultou em prisões e na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, além do presidente do INSS à época. As apurações da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal indicam que entidades ligadas ao grupo Camisotti movimentaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021, com repasses milionários a empresas do empresário. A CPMI do INSS tem sido fundamental para esclarecer a complexa rede de fraudes que envolve políticos, empresários e associações de aposentados.

Convocação de Edson Cunha de Araújo e tensões na CPMI do INSS

Outro personagem central na investigação é o deputado estadual Edson Cunha de Araújo, vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, entidade citada na Operação Sem Desconto. Araújo, investigado pela Polícia Federal, havia sido convocado pela CPMI em fevereiro, mas não compareceu alegando habeas corpus. Em mensagens internas, Araújo fez ameaças diretas ao vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr., evidenciando a tensão política em torno dos trabalhos da comissão. A convocação dele foi proposta por parlamentares do PT e do PL, reforçando o caráter multipartidário da investigação.

Votação dos requerimentos e pedidos de quebras de sigilo na CPMI do INSS

Além das oitivas, a CPMI do INSS vota nesta quinta-feira 87 requerimentos, entre eles pedidos para quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de diversas pessoas e empresas envolvidas no esquema. Um dos requerimentos mais controversos é o que propõe a quebra do sigilo de Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para apurar supostos repasses financeiros ligados à associação de Roberta Luchsinger, figura apontada como integrante do núcleo político do grupo investigado. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, apresentou o pedido com base em diálogos interceptados. Essa votação representa um momento decisivo para o avanço das investigações.

Repercussões políticas e o papel da CPMI na apuração das fraudes do INSS

A atuação da CPMI do INSS tem gerado impacto no cenário político nacional, ao revelar a extensão das fraudes que atingem aposentados e pensionistas. O aprofundamento das investigações expõe a ligação entre empresários, políticos e associações que atuavam em conluio para aplicar descontos não autorizados em benefícios previdenciários. A comissão, ao ouvir investigados e votar requerimentos para quebrar sigilos, busca transparência e medidas eficazes para coibir práticas ilícitas que prejudicam a seguridade social. A expectativa é que os resultados da CPMI contribuam para reformas e maior fiscalização no sistema de benefícios do INSS.

Próximos passos da CPMI do INSS e expectativas para novas oitivas

Com a oitiva de Paulo Camisotti nesta quinta-feira e a convocação futura do deputado Edson Cunha de Araújo, a CPMI do INSS mantém o foco em esclarecer os mecanismos das fraudes e identificar todos os envolvidos. A votação dos requerimentos possibilitará o acesso a informações financeiras cruciais para aprofundar as investigações. O trabalho da comissão segue acompanhando as ações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, atuando para garantir respostas à população e fortalecer o combate à corrupção dentro da previdência social.

Fonte: www.metropoles.com