Tensão no Oriente Médio altera rotas da carne brasileira para importadores

Conflitos geopolíticos no Oriente Médio pressionam logística e levam importadores a buscar alternativas para manter abastecimento

Tensão no Oriente Médio altera rotas da carne brasileira para importadores
Canal de Suez, rota alternativa considerada para exportações brasileiras de carne Foto: Agência

A tensão no Oriente Médio força importadores a rever rotas da carne brasileira para evitar atrasos e custos elevados no transporte marítimo.

Impactos da tensão no Oriente Médio nas exportações brasileiras de carne

A tensão no Oriente Médio tem alterado significativamente as rotas logísticas para os importadores da carne brasileira, afetando especialmente os fluxos que passam pelo Estreito de Ormuz. A escalada do conflito, registrada em 2026, levou ao fechamento desta passagem estratégica, elevando os custos do frete marítimo devido ao aumento dos prêmios de seguro para navios que atravessam áreas de risco. Segundo a CEO da Agrifatto, Lygia Pimentel, o acréscimo nos custos logísticos representa um dos principais desafios para as exportadoras brasileiras, pressionando as margens do setor.

Alternativas logísticas consideradas para garantir o abastecimento no Oriente Médio

Diante do cenário de instabilidade, importadores e o setor produtivo brasileiro estudam rotas alternativas para evitar atrasos e garantir os embarques. Entre as opções estão o uso do Canal de Suez, rotas pelo Golfo de Omã, além do desembarque em portos do Mediterrâneo, Europa ou Turquia com posterior transporte terrestre. Mohamad Orra Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, ressalta que essas alternativas ainda dependem de autorizações específicas dos países envolvidos. Esse redesenho das rotas busca manter a fluidez da cadeia de suprimentos e minimizar o impacto no abastecimento durante o Ramadã, período em que o consumo de proteínas aumenta nos países islâmicos.

Perspectivas para o mercado de frango halal e a importância do Oriente Médio

O Oriente Médio representa um mercado crucial para o frango brasileiro, que exporta mensalmente entre 80 mil e 100 mil toneladas de frango halal para países como Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen. De acordo com Ricardo Santin, presidente da ABPA, apesar do fechamento preventivo de portos e da cautela das companhias de navegação, a demanda pela proteína avícola deve permanecer robusta. A região importou cerca de US$ 3 bilhões em carne de frango no ano anterior, o que corresponde a aproximadamente 35% das exportações brasileiras do produto. O setor busca equilibrar a necessidade de manter os embarques com as restrições logísticas impostas pela instabilidade regional.

Riscos para as exportações de carne bovina e consequências econômicas

A escalada dos conflitos na região do Golfo pode resultar em uma queda de 30% a 40% nas exportações brasileiras de carne bovina caso os entraves logísticos persistam. Roberto Perosa, presidente da ABIEC, destaca que o impacto financeiro pode alcançar até US$ 6 bilhões, considerando o volume de negócios que depende das rotas afetadas. Países como Egito e Arábia Saudita figuram entre os maiores importadores da carne bovina brasileira, com crescimento expressivo em suas compras no último ano. A volatilidade na região, portanto, coloca em risco um segmento vital do agronegócio nacional, exigindo monitoramento constante e estratégias adaptativas.

Estratégias de estoque e investimentos locais atenuam riscos no comércio de proteínas

Apesar dos desafios, muitos países do Golfo utilizam estoques reguladores para garantir o abastecimento interno e evitar interrupções abruptas no comércio de proteínas. Além disso, há um movimento crescente desses países para ampliar a produção própria de proteína animal, o que aumenta a demanda por insumos estratégicos brasileiros para essa cadeia produtiva. Esse cenário indica uma transformação na dinâmica comercial da região, que pode tanto mitigar quanto modificar os padrões tradicionais de importação do Brasil.

Considerações finais sobre o futuro das exportações brasileiras de carne para o Oriente Médio

Embora os entraves logísticos decorrentes da tensão no Oriente Médio representem desafios significativos, a demanda firme por proteínas brasileiras, especialmente durante períodos sazonais como o Ramadã, sustenta a expectativa de recuperação e crescimento para 2026. O setor permanece atento à evolução do cenário geopolítico, ciente de que a estabilidade das rotas e a fluidez no comércio são cruciais para manter a competitividade e a presença do Brasil nos mercados árabes. Investimentos em rotas alternativas e acordos comerciais adaptativos serão essenciais para enfrentar as incertezas no horizonte.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Agência