Estudo da USP revela eficácia da autocoleta de amostras para detecção do HPV, promovendo maior acesso ao rastreamento da doença

Estudo da USP comprova que autocoleta de urina e material vaginal é eficaz para detectar HPV e ampliar prevenção ao câncer cervical.
Autocoleta representa avanço no rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil
A autocoleta para detecção do HPV no câncer de colo do útero surge como uma alternativa promissora para ampliar a prevenção da doença no Brasil. Um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que a coleta feita pelas próprias mulheres, a partir de amostras de urina e material vaginal, apresenta resultados muito próximos aos obtidos por meio da coleta cervical tradicional realizada por profissionais de saúde. A pesquisa envolveu 100 mulheres encaminhadas para exames complementares no Hospital das Clínicas da USP.
Metodologia e resultados da pesquisa sobre autocoleta do HPV
No estudo, as participantes realizaram três coletas sequenciais: primeiro a urina, depois o material vaginal, ambas de forma autônoma, e por fim a coleta cervical feita por médico. Antes dos procedimentos, as participantes receberam instruções detalhadas para garantir a correta realização da autocoleta. A análise das amostras focou na detecção do HPV de alto risco oncogênico, incluindo especificamente o HPV16, um dos tipos mais associados ao câncer cervical. Os resultados indicaram alta concordância entre as amostras coletadas pelas próprias mulheres e as feitas por profissionais, atestando a confiabilidade da autocoleta.
Impactos da autocoleta na ampliação do acesso ao rastreamento
A autocoleta pode superar diversas barreiras que dificultam o acesso ao rastreamento tradicional, como o medo, constrangimento, falta de tempo e problemas logísticos relacionados ao sistema de saúde. Entre as formas avaliadas, a coleta de urina foi a mais bem aceita pelas participantes, destacando-se pelo conforto e menor desconforto. Essa estratégia é vista como uma ferramenta inclusiva, pois permite que qualquer pessoa com útero realize o exame de forma autônoma e fora do ambiente clínico, ampliando a cobertura do rastreamento principalmente em populações vulneráveis.
Experiências internacionais e perspectivas para o Brasil
Países como Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca já incorporaram a autocoleta vaginal em seus programas nacionais de rastreamento do câncer de colo do útero, com resultados positivos na ampliação da cobertura populacional. No Brasil, o SUS começou a adotar em 2025 o teste molecular para detecção do HPV como estratégia oficial de rastreamento, considerado inovador por identificar alterações precursoras da doença com até dez anos de antecedência em relação ao exame de Papanicolau. A expectativa é que a autocoleta vaginal seja incorporada futuramente, aumentando o acesso e facilitando a identificação precoce de casos.
Desafios e importância da prevenção do câncer cervical
Apesar de ser altamente prevenível por meio da vacinação contra o HPV e do rastreamento regular, o câncer de colo do útero ainda representa uma das principais causas de morte entre mulheres brasileiras, especialmente até os 36 anos de idade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem metas para erradicar essa doença até 2030, com foco em alta cobertura vacinal, diagnóstico eficaz e tratamento adequado. A autocoleta surge como uma ferramenta estratégica para alcançar esse objetivo, podendo contribuir para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das mulheres.
Recomendações complementares para prevenção
Além da autocoleta e do rastreamento, a prevenção do câncer de colo do útero inclui a vacinação gratuita contra o HPV oferecida pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 19 anos, o uso de preservativos nas relações sexuais, e a adoção de hábitos de vida saudáveis, como evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Mesmo mulheres vacinadas devem manter acompanhamento ginecológico regular para garantir o diagnóstico precoce e tratamento oportuno, reforçando a importância de múltiplas estratégias integradas na luta contra o câncer cervical.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





