Conflito no Estreito de Ormuz evidencia dependência do Brasil em derivados de petróleo e insumos agrícolas importados

A guerra com Irã expõe vulnerabilidades do Brasil no refino de combustíveis e na importação de fertilizantes essenciais ao agronegócio.
A guerra com Irã e o impacto imediato no mercado brasileiro
A guerra com Irã, que teve início em março de 2026, trouxe à tona a vulnerabilidade do Brasil em setores estratégicos como o refino de combustíveis e a importação de fertilizantes. Desde o começo do conflito no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, disparou mais de 27%, pressionando os custos dos derivados no mercado nacional. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), destaca que, apesar do Brasil ser um dos dez maiores produtores mundiais de petróleo, a produção interna não supre a demanda por combustíveis refinados, o que torna o país dependente das importações. Este cenário evidencia os riscos de uma crise prolongada para a economia brasileira.
Capacidade de refino no Brasil e seu descompasso com a demanda
O Brasil conta com 18 refinarias, com capacidade instalada para processar cerca de 2,4 milhões de barris por dia (bpd), das quais a Petrobras representa 75% da capacidade, segundo seu plano quinquenal. Contudo, a produção real está em torno de 2 milhões bpd, atendendo aproximadamente 70% da demanda por diesel e 85% da gasolina. Sergio Araujo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), reforça que essa lacuna obriga o país a importar entre 25% e 30% do diesel consumido. Essa dependência torna o Brasil vulnerável a choques externos, como o atual conflito que afeta o comércio internacional de petróleo e seus derivados.
Desafios na cadeia de fertilizantes diante do conflito no Oriente Médio
Além do setor de combustíveis, o Brasil enfrenta riscos na importação de fertilizantes, insumos essenciais para o agronegócio. Em 2025, o país importou cerca de US$ 66,8 milhões em fertilizantes do Irã, representando uma parcela significativa das compras externas. O agronegócio brasileiro depende de 80% dos fertilizantes consumidos, e a uréia, que requer gás natural barato para sua produção, tem 30% da sua importação proveniente do Irã. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), destaca a necessidade de políticas para reduzir o custo do gás natural, atualmente elevado devido ao monopólio da Petrobras, para fortalecer a produção nacional desses insumos.
Investimentos e estratégias para modernizar o refino e ampliar a produção nacional
A Petrobras planeja investir US$ 15,8 bilhões até 2030 em refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes, com o objetivo de expandir a capacidade de processamento para 2,1 milhões bpd e aprimorar a qualidade dos combustíveis, reduzindo o teor de enxofre e aumentando a participação de produtos de maior valor agregado, como o diesel. Claudio Schlosser, diretor da Petrobras, projeta que a companhia produzirá até 40% da demanda nacional de uréia até 2030. O ex-diretor da Petrobras Eberaldo de Almeida Neto ressalta que políticas claras e estáveis, evitando intervenções nos preços, são fundamentais para atrair investimentos privados, assim como a possível privatização de refinarias e realização de leilões para ampliar o parque de refino.
Perspectivas futuras e a importância da segurança energética para o Brasil
Especialistas concordam que, para garantir a segurança energética e alimentar do país, é fundamental ampliar as reservas de petróleo e avançar na exploração de novas fronteiras, como a Margem Equatorial, estimada em 30 bilhões de barris pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além disso, a modernização do parque de refino pode posicionar o Brasil como protagonista na transição energética, com o desenvolvimento de biocombustíveis que reduzam a pegada de carbono. A guerra com Irã ressalta a urgência dessas medidas para mitigar os efeitos de crises externas e assegurar o abastecimento do mercado interno diante de eventuais prolongamentos do conflito no Oriente Médio.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





