Guerra no Oriente Médio altera cenário para decisão da Selic em 2026

Tensões internacionais e inflação resistente desafiam o Banco Central na próxima reunião do Copom

Guerra no Oriente Médio altera cenário para decisão da Selic em 2026
Gráfico do IPCA indica pressão inflacionária em fevereiro

A guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo influenciam a decisão sobre a Selic diante da inflação persistente em 2026.

O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a decisão sobre a Selic em 2026

A decisão sobre a Selic em 2026 está sendo fortemente influenciada pela guerra no Oriente Médio e pela disparada dos preços do petróleo, fatores que aumentam os riscos inflacionários no Brasil e no mundo. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, destaca que a alta abrupta do barril do petróleo altera a trajetória esperada para os juros, elevando as pressões globais e locais sobre os preços.

Inflação resistente e seus efeitos na política monetária do Banco Central

O Banco Central enfrenta um cenário complexo, com o IPCA de fevereiro projetado em cerca de 0,69%, pressionado por reajustes típicos de início de ano, como tarifas de transporte e mensalidades escolares. A consultoria Análise Econômica estima que a inflação acumulada em 2026 ficará entre 4% e 4,2%, sugerindo que parte dessas pressões pode ser temporária. Contudo, a resistência dos preços, evidenciada também no IPCA-15, acende alertas para uma inflação que não cede tão rapidamente, complicando as decisões do Copom.

Expectativas de mercado e postura cautelosa do Banco Central diante da incerteza

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, ressalta que o Banco Central costuma adotar uma postura conservadora em momentos de incerteza, como o atual, marcado por tensões geopolíticas e volatilidade no petróleo. Essa cautela deve se refletir em cortes menores na Selic, com possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual em vez dos 0,50 esperados por parte do mercado. Essa moderação visa evitar decisões precipitadas que possam comprometer a credibilidade da autoridade monetária.

O risco de instabilidade e a necessidade de preservar a credibilidade da política monetária

André Galhardo também aponta que um corte abrupto na taxa de juros, seguido de uma reversão, poderia prejudicar a confiança no Banco Central. Diante disso, ajustes pontuais são preferidos para manter a estabilidade e sinalizar compromisso com o controle da inflação. A conjuntura externa desfavorável, aliada à inflação doméstica ainda robusta, exige que o Copom caminhe com prudência, equilibrando crescimento econômico e contenção dos preços.

Cenário global e suas repercussões para o Brasil em 2026

A escalada do conflito no Oriente Médio tem repercussões diretas no mercado global de commodities, especialmente no petróleo, que é insumo determinante para a inflação brasileira. Essa pressão externa complica as previsões econômicas e limita a margem de manobra do Banco Central. A combinação de fatores geopolíticos e inflação persistente significa que a decisão sobre a Selic precisa considerar um ambiente volátil e a possibilidade de choques adicionais na economia.

Em suma, a decisão sobre a Selic em 2026 será tomada em meio a uma conjuntura internacional tensa e uma inflação que demonstra resistência. A cautela e a moderação devem prevalecer para garantir a credibilidade da política monetária e mitigar os impactos das tensões externas na economia brasileira.