Fundador da Reag afirma ausência de ligação com PCC em depoimento à CPI do Crime

João Carlos Mansur negou envolvimento da gestora com lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa durante sessão no Senado

Fundador da Reag afirma ausência de ligação com PCC em depoimento à CPI do Crime
Depoimento de João Carlos Mansur na CPI do Crime Organizado no Senado

João Carlos Mansur, fundador da Reag, negou na CPI do Crime qualquer vínculo da empresa com o PCC ou lavagem de dinheiro.

Fundador da Reag reafirma ausência de vínculo com o PCC na CPI do Crime Organizado

O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, participou da sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado em 11 de março de 2026, onde negou veementemente qualquer ligação da gestora com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou com lavagem de dinheiro. Mansur destacou que, apesar das investigações da Polícia Federal envolvendo a Reag, não há menção ao PCC nos documentos oficiais, incluindo o procedimento da operação Carbono Oculto, que engloba cerca de 15 mil páginas.

O senador Fabiano Contarato, presidente da CPI, indagou sobre a razão pela qual a Reag foi alvo de diversas operações da PF, questionamento que Mansur optou por não responder, alegando que seria uma opinião pessoal.

A investigação da Reag em operações da Polícia Federal revela complexidade financeira

A Reag está sob investigação em múltiplas operações da Polícia Federal, incluindo Carbono Oculto, Compliance Zero e Quasar, que levantam suspeitas sobre lavagem de dinheiro e fraudes associadas ao Banco Master. Em janeiro de 2026, o Banco Central liquidou a gestora, estimando vínculos com fraudes que podem alcançar R$ 50 bilhões.

A Reag administrava aproximadamente 700 fundos, com ativos totais que somavam cerca de R$ 300 bilhões, e é suspeita de envolvimento com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro. Embora Mansur tenha admitido que o Banco Master era cliente da Reag, ele negou que a empresa fosse uma fachada ou tivesse investidores ocultos, descrevendo a estrutura da gestora como um partnership com vários sócios.

Controvérsia sobre governança e transparência da Reag diante das suspeitas

João Carlos Mansur afirmou que a Reag sempre passou por auditorias de empresas internacionais e mantinha estruturas de governança compatíveis com empresas de capital aberto, com divulgação pública de dados. Ele atribuiu parte da penalização sofrida pela companhia ao fato de ser grande e independente no mercado financeiro.

Apesar disso, o Banco Central apontou que a companhia teria ocultado beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro, e a CPI investiga se os fundos da Reag foram usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC.

Avanços da CPI do Crime Organizado: quebras de sigilo e convocações estratégicas

Nesta mesma sessão, a CPI aprovou mais de 20 requerimentos, incluindo quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações focadas no braço financeiro do PCC na Avenida Faria Lima e nas operações vinculadas a Daniel Vorcaro e o Banco Master. O senador Fabiano Contarato destacou que 42 dos 350 alvos da operação Carbono Oculto possuem escritórios na Faria Lima, demonstrando uma grande indústria de lavagem de dinheiro atuando no centro financeiro nacional.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, manifestou insatisfação com a postura do fundador da Reag, que se recusou a responder várias perguntas, limitando-se a comentários pontuais sobre a empresa.

Impacto da CPI e desafios no combate à lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional

O depoimento de João Carlos Mansur é parte de um esforço continuado da CPI para desvelar os mecanismos usados por organizações criminosas para infiltrar recursos ilícitos no sistema financeiro. A complexidade dos esquemas e o crescimento exponencial dos ativos geridos pela Reag, que passaram de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em cinco anos, evidenciam a necessidade de aprimoramento dos controles e da governança financeira.

A investigação também destaca a importância do rigor nas auditorias e na fiscalização de grandes gestoras de fundos para evitar que se tornem instrumentos inadvertidos ou intencionais para lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.