Portos do Paraná implementa plano para reduzir emissões de gases até 2050

Plano de descarbonização visa neutralizar emissões e inclui grupos de trabalho com comunidade portuária

Portos do Paraná implementa plano para reduzir emissões de gases até 2050
Vista do complexo portuário de Paranaguá.

Portos do Paraná lança plano para reduzir emissão de gases de efeito estufa e buscar neutralidade até 2050.

Plano de descarbonização da Portos do Paraná e o compromisso com a neutralidade em 2050

O Plano de descarbonização da Portos do Paraná, apresentado no dia 11 de março de 2026, reforça o compromisso do complexo portuário em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), alinhando-se à meta global de atingir emissões zero até 2050. A iniciativa, conduzida pela Fundação Valenciaport, incorpora metodologias internacionais como o GHG Protocol e o Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, destacando a seriedade e rigor técnico do estudo.

Inventário de emissões e análise dos principais responsáveis no complexo portuário

O inventário revelou que as atividades do Porto de Paranaguá emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, divididas em três escopos. Destaca-se que 97,1% dessas emissões são indiretas, provenientes de terminais, transporte terrestre, serviços de apoio e principalmente dos navios, responsáveis por 89,2% das emissões totais em 2023. As emissões diretas da Autoridade Portuária e o consumo de energia elétrica representam uma parcela pequena, tendo respectivamente 2,7% e 0,1% do total. Essa análise detalhada permite direcionar as ações para as áreas com maior impacto ambiental.

Engajamento da comunidade portuária e ações previstas para a redução dos GEE

Uma das estratégias centrais do plano é a formação de grupos de trabalho com os agentes envolvidos nas operações portuárias. Entre as ações previstas estão a eletrificação dos equipamentos operacionais, adequações nos processos, e a adoção de novos padrões que visem a redução das emissões. Empresas como Catallini Terminais e Cotriguaçu já iniciaram seus próprios inventários e planos de descarbonização, refletindo um movimento colaborativo e integrado entre os atores do setor.

Incentivo aos navios verdes e parcerias internacionais para energias renováveis

Com o objetivo de estimular práticas sustentáveis, o porto concede prioridade de atracação aos chamados navios verdes, embarcações com melhor desempenho ambiental, conforme regulamentação interna. Além disso, a Portos do Paraná estabeleceu parceria com o Porto de Rotterdam para desenvolver projetos de energias renováveis, integrados ao programa Green Ports Partnership. Essas iniciativas reforçam a liderança do porto em sustentabilidade e inovação, sendo o único porto público brasileiro certificado como EcoPorts.

Desafios e oportunidades da transição energética no setor portuário

A transição energética no setor portuário apresenta desafios técnicos e operacionais, mas também oferece oportunidades para avanço tecnológico e competitividade. Empresas como o Grupo Borelli e Linck Máquinas já demonstram soluções sustentáveis com o uso de caminhões movidos a GNV e equipamentos elétricos. O diretor de Transição Energética da Fundación Valenciaport destaca que o processo motivado pelo Plano de Descarbonização pode gerar benefícios econômicos e ambientais para toda a cadeia produtiva.

A implementação do Plano de Descarbonização da Portos do Paraná representa um importante passo na agenda climática do setor portuário brasileiro, combinando rigor científico, cooperação entre stakeholders e inovação tecnológica para alcançar uma operação sustentável e alinhada com os compromissos globais de enfrentamento às mudanças climáticas.