Pesquisas padrão-ouro confirmam ineficácia da cannabis em tratar ansiedade, depressão e outros transtornos mentais

Novas análises indicam que o uso de maconha não é eficaz no tratamento de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais.
Estudos recentes reafirmam que o uso de maconha não alivia sintomas de saúde mental
O uso de maconha para fins medicinais ou recreativos não demonstrou eficácia no tratamento de problemas de saúde mental, segundo duas análises publicadas em 16 de março de 2026. A pesquisa do Centro Matilda para Pesquisa em Saúde Mental e Uso de Substâncias da Universidade de Sydney revisou 54 ensaios clínicos randomizados realizados entre 1980 e 2025, que abordaram o uso de formulações orais de cannabis, como cápsulas e óleos. Jack Wilson, autor principal do estudo, ressaltou que o consumo fumado, mais frequente na realidade, possui ainda menos comprovação científica para benefícios na saúde mental.
Pesquisas confirmam ausência de benefícios para ansiedade, depressão e transtornos pós-traumáticos
As análises indicam que a cannabis não apresenta efeitos positivos no tratamento de ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, que são as principais condições para as quais a maconha é prescrita. Além disso, o uso da planta não melhorou outras patologias como anorexia nervosa, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou transtornos psicóticos, incluindo a esquizofrenia. O professor Deepak Cyril D’Souza, especialista da Universidade de Yale, destacou que os estudos incluídos são padrão-ouro da pesquisa, e que as evidências são claras ao não recomendar o uso da cannabis para saúde mental.
Crescimento do uso da maconha medicinal contrasta com falta de evidências científicas
Apesar das evidências científicas, o uso da maconha para saúde mental tem aumentado. Cerca de 27% da população entre 16 e 65 anos nos Estados Unidos e Canadá relatam terem usado a planta para fins medicinais, sendo que metade dessa parcela busca gerenciar questões de saúde mental. Wilson enfatiza que médicos continuam a prescrever cannabis medicinal para essas condições, mesmo com falta de comprovação de eficácia. Além disso, interesses da indústria da cannabis podem influenciar resultados de algumas pesquisas, aumentando os conflitos de interesse.
Riscos do uso frequente de maconha potente em populações vulneráveis
Especialistas alertam para os riscos significativos do uso regular de maconha com alto teor de THC, especialmente para gestantes, adolescentes e jovens adultos. O consumo intenso entre jovens com transtornos de humor está associado a maiores chances de automutilação, suicídio e agravamento dos sintomas. Pessoas com predisposição genética para transtornos bipolares ou psicóticos também apresentam risco elevado de desenvolver condições psiquiátricas graves ao usar cannabis. D’Souza explica que o teor médio de THC da maconha aumentou drasticamente nas últimas décadas, chegando a níveis até 20 vezes maiores do que na década de 1970.
Dependência e efeitos adversos associados ao aumento da potência da maconha
O aumento do conteúdo de THC tem contribuído para o crescimento do transtorno por uso de cannabis, caracterizado pela dependência e sintomas como irritabilidade, inquietação e distúrbios do sono após a interrupção do consumo. Nos Estados Unidos, cerca de 30% dos usuários de maconha desenvolvem esse transtorno. Os especialistas alertam que eventos adversos graves podem ocorrer mesmo com poucos usos, impactando significativamente a vida desses indivíduos.
Tratamentos comprovados para a saúde mental devem ser priorizados em vez da maconha
Os tratamentos efetivos para ansiedade e depressão envolvem medicamentos como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC). A TCC é focada em modificar pensamentos e comportamentos negativos, melhorando a regulação emocional. Organizações internacionais disponibilizam listas de profissionais qualificados para essa terapia, reforçando que abordagens cientificamente validadas devem ser priorizadas em detrimento do uso da cannabis para saúde mental.
A compreensão clara das limitações e riscos associados ao uso da maconha na saúde mental é essencial para guiar políticas públicas e práticas médicas. A pesquisa científica disponível indica que o uso de maconha não é uma solução eficaz para transtornos mentais, e que tratamentos tradicionais oferecem melhores resultados comprovados.
Fonte: cnnbrasil.com.br





