Leilão de capacidade contrata 501 mw em térmicas a diesel e biodiesel

Certame de 2026 garante reserva estratégica de energia com contratos que somam R$ 229,8 milhões anuais

Leilão de capacidade contrata 501 mw em térmicas a diesel e biodiesel
Usinas termelétricas em operação em Goiânia. Foto: Usinas Xavantes, em Goiânia — Foto: Usinas Xavantes, em Goiânia

Leilão de capacidade de 2026 contrata 501 MW em usinas térmicas a diesel e biodiesel, reforçando a segurança energética.

Detalhes do leilão de capacidade de 2026 para térmicas a diesel e biodiesel

A segunda rodada do leilão de capacidade de 2026 contratou 501 MW de potência em usinas térmicas existentes movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O certame, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), teve duração de aproximadamente 3 horas e 48 minutos e registrou um deságio médio de 50,14% em relação aos preços iniciais definidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O preço médio pago foi de R$ 831 mil por MW ao ano.

Esta contratação visa garantir a segurança energética do sistema, atuando como uma reserva estratégica para suprir picos de demanda. Como são usinas já em operação, não há necessidade de novos investimentos, o que acelera a disponibilidade da capacidade contratada.

Contratos e empresas vencedoras no leilão

O leilão contemplou seis empreendimentos de três grupos geradores: Petrobras, Xavantes e Companhia Energética de Petrolina. Os contratos têm início entre 2026 e 2030, com duração de três anos para as usinas a óleo e de até dez anos para projetos utilizando biodiesel.

A receita fixa anual prevista para estes contratos soma R$ 229,8 milhões, valor que será repassado pela CCEE aos empreendedores pela disponibilidade da potência, sendo este custo repassado aos consumidores de energia elétrica.

Impactos econômicos e operacionais do leilão de capacidade

Embora o leilão promova uma economia estimada de R$ 1,8 bilhão para os consumidores devido ao deságio nos preços, especialistas destacam que o uso de térmicas a óleo combustível e biodiesel implica custos operacionais mais elevados, dado o preço dos combustíveis fósseis. Isso pode exercer pressão sobre as tarifas de energia nos próximos anos, apesar da melhora na segurança do fornecimento.

O aproveitamento de ativos já instalados minimiza o tempo necessário para disponibilização da potência, um fator essencial diante das incertezas do mercado energético e da necessidade de suprir picos de consumo.

Contexto mais amplo do mercado energético brasileiro em 2026

Esta segunda etapa do leilão de reserva de capacidade ocorre poucos dias após a contratação de cerca de 19 GW em usinas térmicas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas, movimentando R$ 64,5 bilhões em investimentos com deságio médio de 5,52%. Enquanto o leilão anterior priorizou novas instalações com horizonte de longo prazo, a rodada atual focou na contratação de usinas já existentes, de modo a complementar a oferta para atendimento imediato das demandas críticas.

Tal estratégia reforça a busca pelo equilíbrio entre segurança energética e custo para os consumidores, ainda que a predominância das térmicas a óleo traga desafios para a sustentabilidade financeira e ambiental do sistema.

Segurança energética e desafios futuros para o setor elétrico

O leilão de capacidade evidencia a necessidade de garantir fontes de energia disponíveis em momentos de crise, mas levanta questões sobre o impacto dos combustíveis fósseis nas contas de luz e na matriz energética do país. A contratação das térmicas a diesel e biodiesel, apesar de estratégica, sinaliza a dependência de fontes com custos variáveis e maior emissão de poluentes.

Assim, enquanto a reserva de capacidade assegura a estabilidade do fornecimento, o setor elétrico brasileiro precisa avançar em fontes renováveis e tecnologias que reduzam a dependência das térmicas a óleo para mitigar riscos econômicos e ambientais a médio e longo prazo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Usinas Xavantes, em Goiânia