Deputada Erika Hilton destaca desafios no combate à misoginia e racismo na Câmara dos Deputados

Erika Hilton, presidente da comissão na Câmara, destaca combate a opressão e discurso de ódio direcionado a mulheres e minorias.
Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher enfrenta sistema organizado de opressão
A comissão de defesa dos direitos da mulher da Câmara dos Deputados, presidida pela deputada federal Erika Hilton, terá entre seus principais desafios o combate a um sistema organizado de opressão, desigualdade, injustiça e ódio. Essa análise foi feita por Hilton durante uma entrevista concedida no dia 23 de março de 2026, no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional. A deputada destacou que esse sistema afeta mulheres, pessoas trans, crianças e minorias historicamente marginalizadas.
Prioridades da presidência: combate à misoginia e racismo no ambiente digital
Erika Hilton apontou que a misoginia tem sido amplificada por discursos de ódio disseminados em ambientes digitais, o que agrava a violência contra mulheres e grupos vulneráveis. Segundo ela, essa hostilidade não é recente, mas ganhou nova força com o uso das redes sociais, afetando a convivência social e política. A deputada defende a necessidade de legislações mais rigorosas que garantam segurança e proteção para crianças, adolescentes e mulheres, evitando que esses espaços virtuais se tornem “terra sem lei”.
Controvérsias e ações judiciais envolvendo práticas racistas
Durante a entrevista, Hilton mencionou que acionou a Justiça Eleitoral contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro por suposta fraude eleitoral ligada ao uso indevido de cotas destinadas à população negra e pela prática do blackface, que configura uma atitude racista e caricata. Hilton classificou essas práticas como violências graves que ultrapassam os limites do debate político, ressaltando a importância de combater o racismo institucional e simbólico na política.
Ampliação do conceito de mulher e críticas às opositoras
A deputada federal reafirmou que o conceito de mulher deve ultrapassar critérios exclusivamente biológicos, incorporando dimensões sociais, culturais, políticas e materiais. Ela respondeu às críticas recebidas por ser uma mulher trans presidindo a comissão, ressaltando que o critério biológico nunca foi requisito para ocupar posições relevantes em comissões semelhantes. Além disso, Hilton criticou parlamentares contrárias a pautas de dignidade feminina, como igualdade salarial e atendimento humanizado a vítimas de estupro, classificando essas atitudes como reflexo de preconceito e ódio.
Desafios para o Legislativo: avançar no combate à violência e discurso de ódio
A deputada destacou que o Legislativo brasileiro precisa avançar na definição de responsabilidades e na criação de mecanismos de controle que protejam grupos vulneráveis contra a violência digital, que muitas vezes se estende para o mundo real. Ela alertou para o recrutamento de jovens em plataformas que deveriam ser de lazer, mas que acabam envolvidos em práticas violentas e intolerantes, reforçando a urgência de políticas públicas eficazes para enfrentar essa realidade.





