Ministro do TSE defende absolvição do ex-governador do Rio em acusação de abuso de poder nas eleições de 2022

Ministro Kassio Nunes Marques vota para absolver Cláudio Castro de abuso de poder nas eleições de 2022, decisão que pode alterar cenário político no Rio.
Kassio Nunes Marques vota para absolver Cláudio Castro em julgamento no TSE
Na sessão realizada no dia 24 de janeiro de 2026, o ministro Kassio Nunes Marques votou para absolver o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no processo que o acusa de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão ocorre em meio a um julgamento que já conta com dois votos pela condenação do político. Nunes Marques enfatizou a ausência de comprovação clara de motivação política nas contratações feitas por Castro, rejeitando condenações baseadas em presunções ou depoimentos isolados. O ministro destacou que a expressiva votação obtida por Castro no primeiro turno reforça a legitimidade do pleito e que penalidades severas, como cassação, exigem provas robustas de influência indevida nas eleições.
Contexto do processo contra Cláudio Castro e os impactos políticos
O processo contra Cláudio Castro envolve a contratação por decreto de cerca de 27,6 mil funcionários temporários na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em período eleitoral, além do aumento de repasses a essas instituições. Essas contratações, que custaram aproximadamente 519 milhões de reais no primeiro semestre de 2022, foram apontadas pelo Ministério Público como um possível mecanismo para atuação de cabos eleitorais a favor de Castro. A acusação sustenta que tais ações configuram abuso de poder político e econômico, o que, se confirmado, poderia levar à cassação do mandato e à inelegibilidade do ex-governador, comprometendo sua pré-candidatura ao Senado anunciada recentemente.
Estratégias e desdobramentos na tramitação do julgamento no TSE
Desde o início do julgamento, em novembro, o processo passou por duas pausas para pedidos de vista, um deles pelo próprio Kassio Nunes Marques. A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, atuou para acelerar a tramitação, inclusive convocando sessão extraordinária para concluir a votação. A pressa na decisão decorre da proximidade do prazo para registro das candidaturas, previsto para agosto, quando qualquer condenação poderia viabilizar a inelegibilidade de Castro. O ex-governador chegou a deixar o governo antecipadamente para tentar impedir a cassação, mas o andamento do processo recomenda atenção ao risco político que ele enfrenta.
Possíveis consequências jurídicas e políticas para Cláudio Castro e aliados
Além de Cláudio Castro, o processo envolve outros réus como o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha, hoje no Tribunal de Contas do Estado. Caso o TSE condene Castro, ele poderá disputar as eleições sub judice, mas precisará obter decisão favorável do Supremo Tribunal Federal para reverter eventual inelegibilidade antes da diplomação. A vitória no STF é vista por aliados como fundamental para garantir a candidatura ao Senado. A análise do caso demonstra a complexidade jurídica que envolve o equilíbrio entre a legislação eleitoral, a fiscalização do abuso de poder e as estratégias políticas adotadas por atores envolvidos.
Análise do voto de Nunes Marques e suas implicações para processos eleitorais futuros
O voto do ministro Kassio Nunes Marques destaca critérios rigorosos para condenações em casos eleitorais, pedindo provas concretas e relevância quantitativa e qualitativa suficiente para comprometer a higidez do processo eleitoral. Essa postura pode representar um precedente para julgamentos futuros, reforçando a proteção contra condenações baseadas em ilações e testemunhos isolados. O posicionamento também acentua o debate sobre o limite entre atos administrativos legítimos e práticas que possam interferir indevidamente no pleito, contribuindo para a definição dos parâmetros de legalidade e abuso em contextos eleitorais complexos.





