expansão do setor elétrico depende de subsídios e sem planejamento claro

Leilão de capacidade em março de 2026 revela modelo de expansão baseado em subsídios e decisões administrativas no setor elétrico brasileiro

expansão do setor elétrico depende de subsídios e sem planejamento claro
Pirâmide de subsídios prestes a ruir • Reprodução Foto: Pirâmide de subsídios prestes a ruir • Reprodução — Foto: Pirâmide de subsídios prestes a ruir  • Reprodução

A expansão do setor elétrico brasileiro depende cada vez mais de subsídios, sem planejamento integrado ou mecanismos de mercado eficientes.

Contexto do leilão de reserva de capacidade em março de 2026

A expansão do setor elétrico no Brasil, evidenciada no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) realizado no dia 18 de março de 2026, contratou 18.977 MW de potência, demandando investimentos estimados em R$ 64,5 bilhões. Este processo, marcado por altos custos e contratos que ultrapassam R$ 500 bilhões em até 15 anos, demonstra que a expansão do setor elétrico está sendo conduzida não por um mercado eficiente nem por um planejamento integrado, mas por subsídios concedidos de forma administrativa e discricionária. Alexandre Street, professor associado da PUC-Rio, destaca que este modelo afeta diretamente a segurança e flexibilidade do atendimento à demanda energética, porém gera distorções e falta de alinhamento entre os atores do sistema.

Mecanismos adotados no leilão e seus impactos estruturais

O modelo do leilão utilizou contratos de capacidade que remuneram a potência disponível das usinas, mas não obrigam à entrega fixa de energia. Embora essa abordagem vise garantir segurança operacional, ela não reflete plenamente o valor de cada fonte energética e induz pagamentos por pacotes integrados. Em um cenário de baixa competitividade, geradores buscam segurança financeira via receita fixa, desacoplada dos preços reais da energia, o que pode levar à ineficiência e a um desequilíbrio nas responsabilidades e riscos entre consumidores e fornecedores. Tal situação pode gerar incentivos para disputas contratuais e judicializações, desviando o foco da maximização de valor para a maximização de ganhos regulatórios.

Desafios do planejamento e da falta de mercado eficiente

A definição das quantidades e das fontes a serem contratadas é realizada de forma administrativa, sem agnosticismo tecnológico e pouco aproveitando as sinergias existentes no sistema elétrico. Isso faz com que o leilão se assemelhe a um subsídio licitado, onde os custos são repassados aos consumidores via encargos, mesmo que a energia gerada seja paga integralmente. Existem duas correntes principais no debate sobre a expansão do setor: uma que aposta nos mecanismos de mercado para revelar custos e orientar investimentos, e outra que defende o planejamento centralizado com modelos robustos. Entretanto, o caminho adotado não representa adequadamente nenhuma dessas abordagens, carecendo de transparência, eficiência e critérios técnicos claros.

Consequências econômicas e riscos para os consumidores

Subsídios já concedidos na década passada geraram um impacto de R$ 50 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) apenas no último ano. A possibilidade de criação de uma pirâmide de subsídios preocupa, pois cada novo mecanismo pode resultar em novos reajustes tarifários insustentáveis, postergando dívidas para o futuro e elevando o custo final para o consumidor. Linhas de financiamento via BNDES para evitar aumentos tarifários imediatos indicam que o modelo vigente pode comprometer a sustentabilidade econômica do setor. A ausência de reformas estruturais no desenho do mercado e a adoção de soluções pragmáticas e subótimas ameaçam a eficiência do sistema.

Necessidade urgente de reforma regulatória para o setor elétrico brasileiro

Antes de consolidar os leilões de capacidade como eixo da expansão, é imperativo questionar se o mecanismo atual é eficiente para contratar os atributos essenciais do sistema, como flexibilidade, capacidade e energia. A postergação da discussão sobre reformas abrangentes, que integrem desde o atacado ao varejo, favorece soluções superficiais que perpetuam distorções e oneração dos consumidores. O setor demanda uma revisão profunda do desenho regulatório, com foco na transparência, eficiência e alinhamento dos interesses entre consumidores e geradores, para garantir sustentabilidade e segurança energética no longo prazo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Pirâmide de subsídios prestes a ruir  • Reprodução