Pesquisa do IBGE destaca o aumento dos casos de bullying entre adolescentes brasileiros, com meninas sendo as principais vítimas

IBGE aponta que 40% dos alunos entre 13 e 17 anos já sofreram bullying na escola, com aumento dos casos desde 2019.
Panorama dos dados sobre bullying na escola divulgado pelo IBGE
A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024 reafirma que bullying na escola é um problema grave que afeta quatro em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos. O levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostra um crescimento de 4,2% nos relatos de agressões em comparação com 2019. As meninas se destacam como principais vítimas, com 30,1% relatando humilhações constantes de colegas, enquanto 24,3% dos meninos afirmam sofrer bullying, indicando uma diferença significativa entre os gêneros. A pesquisa evidencia também que um em cada quatro alunos que sofrem bullying enfrentam essa situação repetidamente, apontando para a persistência do problema nas escolas brasileiras.
Diferenças de gênero no bullying: vítimas e agressores
A análise dos dados indica que, apesar das meninas serem as maiores vítimas do bullying na escola, os meninos assumem maior protagonismo na prática dessas agressões. Segundo o IBGE, 16,5% dos meninos dizem ter praticado bullying, enquanto 10,9% das meninas afirmam ter cometido atos semelhantes. Essa disparidade ressalta a necessidade de políticas educacionais que abordem as diferenças de gênero no comportamento e nas experiências escolares. Além disso, o cyberbullying aparece como uma forma crescente de violência, afetando 13,2% dos estudantes, com maior incidência entre as meninas (16,2%) em relação aos meninos (10,2%), demonstrando que a agressão ultrapassa os limites físicos do ambiente escolar e se estende para o meio digital.
Motivações e fatores relacionados ao bullying na escola
Os motivos apontados pelos alunos para as agressões sofridas são diversos, refletindo a complexidade do fenômeno do bullying na escola. A aparência do rosto ou do cabelo foi o fator mais citado, com 30,2% dos estudantes destacando esse motivo. Outros aspectos físicos, como a aparência do corpo (24,7%), cor ou raça (10,6%), e o uso de roupas ou material escolar (10,1%), também são causas frequentes. Questões culturais e identitárias, como sotaque ou jeito de falar (8,9%), religião (7,1%) e gênero ou orientação sexual (6,4%), contribuem para a exclusão e agressão. A deficiência física foi mencionada por 2,6% dos entrevistados, e impressionantes 36,6% indicaram outros motivos, evidenciando que bullying na escola pode surgir de diferentes preconceitos e discriminações.
Crescimento do bullying e impactos no ambiente escolar
O aumento dos relatos de bullying na escola entre 2019 e 2024 indica uma tendência preocupante para o ambiente educacional brasileiro. Esse fenômeno tem implicações diretas no bem-estar emocional e no desempenho escolar dos adolescentes. O levantamento do IBGE destaca que, apesar da maioria (59,7%) dos alunos não relatar sofrer bullying, a parcela das vítimas que enfrenta agressões frequentes é expressiva, o que demanda atenção das autoridades educacionais e da sociedade. A pesquisa serve como alerta para a necessidade de ampliação das estratégias de prevenção, combate e apoio às vítimas no contexto escolar, promovendo um ambiente mais seguro e inclusivo para todos.
Considerações finais sobre a pesquisa do IBGE e a realidade escolar
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, oferece um retrato detalhado das condições de vida dos estudantes brasileiros. A inclusão de dados sobre bullying na escola reforça a urgência do tema no debate público e político. O levantamento não apenas quantifica o problema, mas também revela suas nuances, como as diferenças de gênero, os tipos de agressão e os motivos subjacentes. Essa análise aprofundada é fundamental para o desenvolvimento de políticas eficazes que visem garantir o direito dos alunos a um ambiente escolar livre de violência e discriminação.
Fonte: www.metropoles.com





