Caminhoneiros descartam paralisação após medidas do governo garantirem piso mínimo do frete

Medida Provisória 1.343/2026 e resoluções da ANTT atendem reivindicações da categoria e aumentam fiscalização do transporte rodoviário

Caminhoneiros descartam paralisação após medidas do governo garantirem piso mínimo do frete
Caminhoneiros reforçam diálogo com governo para garantir cumprimento do piso mínimo do frete. Foto: Paulo Whitaker

Após medidas do governo, caminhoneiros descartam paralisação nacional e destacam importância do piso mínimo do frete para dignidade da categoria.

Caminhoneiros descartam paralisação nacional após Medida Provisória e resoluções da ANTT

A Medida Provisória 1.343/2026, publicada em 25 de março, e as Resoluções 6.077/2026 e 6.078/2026 da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) marcaram um avanço decisivo para os caminhoneiros, que descartaram a paralisação nacional anunciada para este mês. Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, destacou que o diálogo com o governo e o atendimento às demandas da categoria são fundamentais para evitar greves. Ele ressaltou que “o piso mínimo é vida”, garantindo dignidade e qualidade de vida aos trabalhadores da estrada.

Resoluções da ANTT e MP 1.343: regras e fiscalização reforçadas

A Resolução 6.077 estabelece sanções progressivas a empresas e contratantes que desrespeitarem a lei do piso mínimo do transporte rodoviário de carga, enquanto a Resolução 6.078 impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) para fretes contratados abaixo do piso legal. Sem esse código, o transporte torna-se ilegal e não pode circular nas estradas. Estas medidas operacionalizam a MP 1.343, que está em vigor enquanto tramita no Congresso Nacional, e contribuem para aumentar a capacidade de fiscalização do setor.

Impacto das medidas na fiscalização e combate a irregularidades

O diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, ressaltou que, com a MP e as resoluções, a fiscalização nas estradas aumentou em 2.000%, permitindo não só o cumprimento da tabela do frete, mas também o combate a outras irregularidades, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro de origem criminosa. A agência passou a identificar o fluxo do dinheiro e da carga para intensificar a efetividade das ações fiscais e garantir a legalidade das operações de transporte.

Critérios para fixação do piso mínimo do frete e ajustes futuros

O valor mínimo a ser pago pelo transporte considera o tamanho do caminhão, volume da carga, tipo de material transportado (granel sólido ou líquido), necessidade de refrigeração ou aquecimento, e acondicionamento em contêiner. O governo assegurou que os valores serão ajustados automaticamente caso haja variação igual ou superior a 5% no preço do diesel, conforme previsto em lei. Essa flexibilização busca preservar a sustentabilidade econômica dos caminhoneiros diante das oscilações do mercado.

Compromisso do governo com diálogo contínuo e valorização dos caminhoneiros

O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, evidenciou a importância dos caminhoneiros para o funcionamento do país, ressaltando que sem eles não chega combustível nos postos nem alimentos nas prateleiras. O governo se comprometeu a manter uma mesa de diálogo permanente com a categoria e a mobilizar a bancada parlamentar para garantir que não haja retrocessos nas medidas provisórias adotadas, reforçando o compromisso com a valorização e direitos dos trabalhadores do setor.