Juros sobem devido à guerra no Oriente Médio mesmo com desaceleração do IPCA-15

Taxas de juros DIs sobem firmes em meio à guerra no Irã, apesar da inflação de serviços desacelerar em março

Juros sobem devido à guerra no Oriente Médio mesmo com desaceleração do IPCA-15
Movimentação no mercado financeiro refletindo incertezas globais. Foto: Bruno Domingos

Juros sobem com guerra no Irã, enquanto IPCA-15 de março mostra desaceleração nos preços de serviços, refletindo incertezas econômicas.

Cenário atual faz juros sobem com guerra no Oriente Médio e influenciam mercado brasileiro

Nesta quinta-feira, 26, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) sobem firmemente em resposta ao aumento da incerteza causado pela guerra entre Irã e Israel, apesar da desaceleração da inflação em serviços apontada pelo IPCA-15 em março. O Banco Central manteve a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 em 1,6%, mas alertou para pressões inflacionárias decorrentes do conflito. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, destacou que a conjuntura externa desfavorável deve afetar as decisões de política monetária nos próximos meses.

Taxas dos DIs registram alta significativa nesta manhã de quinta-feira

Às 10h02, o DI para janeiro de 2028 atingiu 14,095%, alta de 30 pontos-base em relação à sessão anterior, enquanto o DI para janeiro de 2035 subiu 13 pontos-base para 14,12%. Essa elevação ocorre mesmo com o rendimento do Treasury de 10 anos nos Estados Unidos em queda, refletindo o impacto direto da guerra e maior cautela dos investidores no cenário global. O aumento das taxas no Brasil indica maior custo de captação para o governo e setor privado.

IPCA-15 de março mostra desaceleração nos serviços, mas inflação geral surpreende

O IBGE divulgou que o IPCA-15 subiu 0,44% em março, acima dos 0,29% projetados, mas significativamente menor que os 0,84% de fevereiro. A inflação de serviços desacelerou de 1,49% para 0,49%, enquanto os serviços subjacentes caíram de 0,66% para 0,49%. Serviços intensivos em mão de obra ficaram estáveis em 0,66%. A média dos núcleos de inflação observados pelo Banco Central caiu de 0,65% para 0,35%, indicando que a pressão inflacionária sobre serviços arrefeceu, apesar do cenário externo desafiador.

Impactos da guerra no Irã geram incertezas e influenciam política monetária

O conflito no Oriente Médio aumentou a volatilidade nos mercados financeiros globais, elevando os preços do petróleo e afetando a inflação mundial. O Banco Central brasileiro reconhece essa pressão externa no Relatório de Política Monetária, projetando alta inflacionária a partir do primeiro trimestre. Essa conjuntura torna mais cautelosas as expectativas do mercado para cortes na taxa Selic, com especialistas prevendo redução menor e mais gradual do que o inicialmente estimado.

Expectativas para cortes na Selic são revisadas diante do cenário internacional

Analistas do mercado e economistas ajustaram suas projeções para cortes na taxa básica de juros, Selic, prevendo redução de apenas 25 pontos-base em abril, contra 50 pontos-base esperados anteriormente. A aceleração nos cortes deverá ocorrer somente a partir de junho, dependendo da evolução do cenário externo e da guerra no Oriente Médio. As opções negociadas na B3 refletem essa incerteza, com probabilidades divididas entre redução parcial e manutenção da taxa em níveis atuais.

Perspectivas para o mercado financeiro e economia brasileira em 2026

A manutenção da projeção de crescimento do PIB em 1,6% sinaliza uma expectativa estável para 2026, embora com riscos elevados devido às tensões geopolíticas. O aumento das taxas de juros DIs indica pressão para custos financeiros mais altos, o que pode impactar investimentos e consumo. A desaceleração da inflação dos serviços oferece um alívio parcial, mas o efeito dos preços do petróleo e a volatilidade global exigem vigilância constante das autoridades econômicas e do mercado.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Bruno Domingos