Implementação do sistema eletrônico enfrenta resistência no Paraná e falta de informação no Rio Grande do Sul

Free flow no Sul do Brasil provoca críticas pelas mudanças na cobrança eletrônica de pedágio e pela falta de transparência na aplicação do sistema.
Resistência política e social ao free flow no Paraná
A cobrança eletrônica de pedágio pelo sistema free flow no Sul do Brasil começou a valer há um mês, nas regiões oeste e sudoeste do Paraná. Desde então, o modelo tem enfrentado resistência crescente. Deputados estaduais, como Evandro Araújo (PSD), lideram questionamentos relacionados à implantação do sistema com tarifa cheia, que diverge da promessa inicial de cobrança proporcional ao percurso realizado. Mudanças nas praças de pedágio, com deslocamentos para áreas urbanas mais populosas, geraram descontentamento entre moradores de cidades como Rolândia, Marialva, Mandaguari e Mandaguaçu. Esses cidadãos relatam que precisam pagar o valor integral do pedágio mesmo para deslocamentos muito curtos, sem rotas alternativas, o que tem repercussão social significativa.
Questionamentos jurídicos e ações civis públicas
Desde o início do ano, um grupo de 25 deputados paranaenses protocolou diversas ações civis públicas e ofícios contra a cobrança por meio do sistema free flow nos Lotes 4 e 6, que abrangem importantes trechos rodoviários do estado. A principal alegação é a falta de transparência e o desrespeito ao contrato que previa a cobrança proporcional. As ações questionam ainda a alteração nos locais dos pórticos, que podem ser implantados até cinco quilômetros de distância dos pontos originais previstos, conforme previsto nos contratos com a ANTT. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou, inicialmente, a suspensão da instalação dos pórticos, motivando recursos por parte dos parlamentares.
Comunicação deficiente e multas no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o free flow também tem gerado polêmica, mas por motivos distintos. A principal crítica dos usuários é a falta de informação clara sobre os pontos de cobrança eletrônica e os procedimentos para pagamento. Isso tem resultado em um aumento expressivo no número de multas aplicadas a motoristas que desconhecem o sistema ou a localização dos pórticos. De 2,8 mil multas em 2023, o número saltou para 608 mil em 2025, segundo dados apresentados pelo deputado estadual Paparico Bacchi. O governo gaúcho reconhece a resistência e promove campanhas para esclarecer a população, mas a desinformação ainda impacta os usuários das rodovias estaduais.
Aspectos técnicos e operacionais do free flow
O free flow é um modelo de pedágio eletrônico que utiliza pórticos com leitura automática de placas ou dispositivos eletrônicos, eliminando a necessidade de parada dos veículos. Segundo o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, a substituição das praças físicas por eletrônicas é um processo inicial, e a cobrança proporcional por quilômetro rodado está prevista para ser implementada a médio e longo prazo, após estudos e avaliações de impacto. Por outro lado, representantes do Grupo EPR, responsável pela administração de trechos no Paraná, afirmam que o contrato atual não prevê a cobrança proporcional e definem como equívoco a associação do free flow a esse tipo de tarifação.
Impactos socioeconômicos e perspectivas futuras
As controvérsias em torno do free flow refletem os desafios da transição tecnológica em sistemas públicos de cobrança de pedágio. O deslocamento das praças para áreas urbanas pode afetar a mobilidade cotidiana e encarecer deslocamentos curtos, impactando especialmente moradores próximos às rodovias. Por outro lado, o modelo eletrônico tem potencial para otimizar o tráfego e reduzir custos operacionais a longo prazo. A continuidade do debate político e judicial, aliada à necessidade de comunicação eficaz com a população, será fundamental para ajustar o sistema, garantindo transparência e minimizando impactos negativos. Especialistas consultados indicam que o modelo de cobrança eletrônica é irreversível e tende a se consolidar como padrão nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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