diu hormonal e o debate sobre o risco de câncer de mama

estudos recentes apontam associação estatística entre diu hormonal e câncer de mama, mas especialistas recomendam análise cautelosa dos resultados

diu hormonal e o debate sobre o risco de câncer de mama
Existem dois tipos de DIU: o de cobre e o hormonal. Foto: Charles Milligan/Hulton Archive/Getty Images

Pesquisas recentes avaliam o elo entre DIU hormonal e câncer de mama, destacando necessidade de cuidadosa interpretação dos dados.

Estudos recentes sobre o diu hormonal e risco de câncer de mama

A relação entre DIU hormonal e risco de câncer de mama tem sido foco de pesquisas epidemiológicas nos últimos anos. Em 2024, um estudo dinamarquês publicado no JAMA analisou mais de 150 mil mulheres, incluindo metade usuárias do DIU hormonal liberador de levonorgestrel, identificando um aumento relativo de 40% no risco da doença. Já em 2025, uma pesquisa sul-coreana publicada na revista Obstetrics & Gynecology acompanhou mulheres entre 30 e 49 anos, constatando um risco 38% maior para usuárias do DIU hormonal. Esses estudos são fundamentais para compreender o impacto do método no desenvolvimento do câncer de mama.

Contextualização dos achados e cautela na interpretação dos resultados

Apesar do aumento relativo apontado, especialistas alertam para o baixo aumento absoluto do risco, que é similar ao observado no uso de anticoncepcionais orais, obesidade e consumo de bebidas alcoólicas. O oncologista Diogo Sales destaca que o risco do DIU hormonal deve ser avaliado dentro do contexto geral dos fatores que influenciam o câncer de mama, como genética, obesidade e exposição prolongada a hormônios sexuais. A dificuldade em controlar variáveis associadas e a magnitude do impacto absoluto reforçam a necessidade de uma análise cuidadosa.

Funcionamento e uso do diu hormonal no Brasil

O DIU é um método contraceptivo de alta eficácia com duas versões principais: o DIU de cobre, que causa reação inflamatória local contra os espermatozoides, e o DIU hormonal, que libera levonorgestrel, dificultando a fecundação e implantação do embrião. No Brasil, sua utilização ainda é baixa, com cerca de 3,8% das mulheres usando-o segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. A inserção do dispositivo em unidades básicas de saúde é limitada, contribuindo para a baixa adesão. Além da contracepção, o DIU hormonal é utilizado para tratar sangramentos uterinos aumentados, evitando cirurgias.

Influência dos hormônios sexuais no desenvolvimento do câncer de mama

O tecido mamário é sensível aos hormônios estrogênio e progesterona, que regulam a proliferação celular. A exposição prolongada a esses hormônios pode aumentar a duplicação do DNA e o risco de surgimento de células cancerígenas. Fatores como menarca precoce, menopausa tardia, ausência de filhos, obesidade e consumo de álcool elevam esse tempo de exposição. A oncologista Ilza Maria Urbano Monteiro reforça que, apesar do risco aumentado com o anticoncepcional, outros fatores como histórico familiar têm impacto mais significativo.

Avaliação dos riscos e benefícios do diu hormonal na prática clínica

A escolha pelo uso do DIU hormonal deve considerar o perfil individual e objetivo da paciente, incluindo contraindicações como histórico de câncer de mama. O método também está associado à proteção contra câncer de endométrio. A orientação médica prévia é crucial para que as mulheres compreendam os potenciais riscos e benefícios, permitindo decisões informadas. Alterações no estilo de vida permanecem recomendadas para reduzir o risco global de câncer de mama, destacando a importância de uma abordagem multidimensional para prevenção e saúde feminina.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Charles Milligan/Hulton Archive/Getty Images