Real brasileiro e peso mexicano enfrentam pressões em cenário global marcado pela guerra e políticas cautelosas dos bancos centrais

Moedas latino-americanas devem enfraquecer devido a políticas monetárias defensivas e tensões geopolíticas, com real e peso sob atenção.
Perspectivas para moedas latino-americanas em abril de 2026
As moedas latino-americanas devem enfraquecer em abril, conforme estimativas de 28 estrategistas de câmbio consultados entre 27 de março e 1º de abril. O real brasileiro está previsto para ser negociado a 5,25 por dólar dos EUA, representando uma queda de 1,3% em relação aos 5,18 atuais. Já o peso mexicano deve alcançar 18,06 por dólar, 0,7% abaixo do valor vigente de 17,93. Essas expectativas refletem a adoção de políticas monetárias mais rígidas e o impacto da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã.
Impacto das políticas monetárias defensivas no real e peso mexicano
O real e o peso mexicano vêm evitando, em grande parte, o choque financeiro que afetou outras moedas emergentes, principalmente as ligadas a economias dependentes do petróleo dos países do Golfo. O Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de flexibilização em março com um corte de 25 pontos-base na Selic, que permanece elevada em 14,75%. Essa taxa está significativamente acima da faixa de 3,50% a 3,75% praticada pelo Federal Reserve dos EUA, o que pode dar suporte ao real. Por outro lado, o Banco do México adotou postura mais dovish, reduzindo a taxa básica para 6,75% em uma decisão dividida, o que expõe o peso a maiores riscos de desvalorização.
Fatores globais e regionais influenciando a desvalorização das moedas locais
Além das políticas monetárias, a guerra no Oriente Médio e a consequente instabilidade global afetam o apelo do dólar como ativo seguro, o que teoricamente poderia beneficiar as moedas latino-americanas. Contudo, a cautela dos bancos centrais e o receio de impactos econômicos negativos limitam essa vantagem. A expectativa de uma recessão nos EUA e a volatilidade no mercado global criam um ambiente desafiador para a valorização dessas moedas.
Riscos políticos e comerciais no horizonte para o real e o peso
As projeções para o próximo ano indicam uma desvalorização de 3% para o real, atingindo 5,34, e uma queda de 0,9% para o peso, chegando a 18,10. Esses números refletem preocupações com a renegociação do acordo comercial USMCA antes do prazo de julho e a eleição presidencial brasileira em outubro. Entre os analistas, há divisão quanto ao futuro do real, com respostas que variam entre fortalecimento, neutralidade e enfraquecimento, enquanto a maioria acredita que o peso pode sofrer desvalorização adicional.
Cenário futuro e recomendações para investidores e autoridades
Diante do contexto atual, as moedas latino-americanas enfrentam um cenário de pressões tanto externas quanto internas. A manutenção de taxas de juros elevadas no Brasil pode oferecer alguma resistência à desvalorização do real, enquanto a postura mais flexível do Banco do México exige atenção aos movimentos do peso. Investidores devem monitorar os desdobramentos políticos e econômicos regionais, além das tensões globais que influenciam o fluxo de capitais. Autoridades monetárias precisarão equilibrar as ações para conter a inflação sem comprometer a estabilidade cambial.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Bruno Domingos





