Nova insulina glargina no sus representa avanço no tratamento do diabetes

Disponibilização da insulina glargina no SUS traz maior estabilidade glicêmica e melhora a adesão dos pacientes ao tratamento

Nova insulina glargina no sus representa avanço no tratamento do diabetes
Paciente aplicando insulina, tratamento para diabetes. Foto: Freepik

Ministério da Saúde inicia uso da insulina glargina no SUS, que proporciona liberação contínua e maior controle glicêmico aos pacientes.

Por que a insulina glargina no SUS é considerada um avanço no tratamento do diabetes

A introdução da insulina glargina no SUS representa um salto significativo no tratamento do diabetes, especialmente a partir de fevereiro, quando o Ministério da Saúde iniciou a transição da insulina humana NPH para essa nova opção. O endocrinologista Gustavo Daher destaca que a insulina glargina, por ser de liberação lenta e contínua, mantém níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia, o que pode ampliar a adesão ao tratamento pelos pacientes.

A insulina glargina difere da tradicional NPH ao proporcionar uma duração média de ação de 18 a 24 horas, permitindo uma aplicação diária única, ao contrário da insulina NPH que necessita de reaplicações a cada oito horas. Isso se deve à sua estrutura molecular que forma microcristais no tecido subcutâneo, liberando o medicamento lentamente na circulação sanguínea e evitando picos elevados de insulina que podem causar hipoglicemias.

Impacto da insulina glargina no controle glicêmico e segurança do paciente

Além da comodidade na administração, a insulina glargina apresenta um perfil de ação mais seguro, pois reduz a ocorrência de episódios perigosos de hipoglicemia, comuns nos tratamentos com insulina NPH. A liberação gradual e constante evita picos de insulina, sendo iniciada dentro de uma a duas horas após a aplicação e mantendo níveis estáveis durante o dia.

Essa característica traz benefícios diretos para pacientes com diabetes tipo 1 e para parte dos que possuem diabetes tipo 2 e necessitam da insulina devido à insuficiência progressiva do hormônio. Segundo Gustavo Daher, cerca de 30% a 40% dos portadores de diabetes acabam necessitando da insulina em algum momento da doença.

Projeto-piloto e população beneficiada pelo programa no SUS

A iniciativa do Ministério da Saúde começou com um projeto-piloto em quatro unidades federativas: Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Nessa fase, são atendidos crianças e adolescentes até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais portadores tanto de diabetes tipo 1 quanto tipo 2. O programa visa atender mais de 50 mil pacientes inicialmente.

Profissionais da atenção primária estão sendo capacitados para orientar corretamente sobre o uso do medicamento e das canetas aplicadoras, assegurando a eficácia do tratamento e segurança dos usuários. A expectativa é expandir gradualmente a oferta da insulina glargina para demais estados após avaliação dos resultados do projeto-piloto.

Desafios financeiros e acessibilidade do novo medicamento no SUS

O custo médio da insulina glargina varia entre R$ 70 e R$ 150 por caneta, dependendo se é o medicamento de referência ou genérico, sendo que alguns pacientes necessitam de duas unidades por mês. A inclusão no SUS representa um esforço para garantir acesso a um tratamento mais eficaz, apesar do valor relativamente alto.

Essa iniciativa busca reduzir o impacto financeiro dos pacientes na aquisição do medicamento e promover maior equidade no tratamento do diabetes, uma doença prevalente no Brasil, que afeta entre 10% e 15% da população, embora esse número possa ser ainda maior devido a diagnósticos não realizados.

Perspectivas para o futuro do tratamento do diabetes no Brasil

A introdução da insulina glargina no SUS é vista como um avanço na política pública de saúde para o diabetes, pois oferece uma alternativa terapêutica que potencialmente melhora o controle glicêmico, reduz complicações e aumenta a adesão dos pacientes ao tratamento.

Especialistas ressaltam que o diagnóstico precoce e o acesso a tecnologias e medicamentos modernos são fundamentais para diminuir os impactos da doença na qualidade de vida dos brasileiros. O sucesso do projeto-piloto poderá direcionar a ampliação da oferta da insulina glargina e outras inovações no tratamento do diabetes em todo o país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br