Anvisa reforça controle sobre uso de canetas emagrecedoras no Brasil

Novas medidas da Anvisa focam em fiscalização, importação e segurança dos medicamentos injetáveis de GLP-1

Anvisa reforça controle sobre uso de canetas emagrecedoras no Brasil
Mulher aplicando caneta emagrecedora enquanto se exercita. Foto: Svitlana Pietukhova / Getty Images

Anvisa intensifica fiscalização e ajusta regras para a importação e manipulação das canetas emagrecedoras no país.

Novas regras da Anvisa para canetas emagrecedoras no Brasil

Em 6 de abril de 2026, a Anvisa anunciou o endurecimento das regras para o uso das canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis baseados em GLP-1, com objetivo de ampliar o controle sanitário e proteger os pacientes. Paulo Cappelli, representante da agência, destacou que o volume importado no segundo semestre de 2025 corresponde a mais de 100 kg de insumos, capazes de produzir cerca de 20 milhões de doses, número desproporcional ao tamanho do mercado nacional.

Ações de fiscalização e interdições realizadas em farmácias e importadoras

Entre janeiro e março de 2026, a Anvisa realizou operações em 11 estabelecimentos, como farmácias de manipulação e importadoras em todo o país. As inspeções resultaram em oito interdições por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade, incluindo ausência de esterilização adequada e falta de identificação na origem dos insumos farmacêuticos.

Eixos de atuação para garantir segurança e regulação eficaz

A estratégia da Anvisa para reforçar o controle das canetas emagrecedoras contempla seis eixos principais:

Eixo 1 – Aprimoramento regulatório: revisões nas notas técnicas sobre importação, manipulação e controle sanitário dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs) utilizados nos agonistas de GLP-1, além da atualização das boas práticas de manipulação em farmácias.

Eixo 2 – Monitoramento e fiscalização: intensificação das ações especialmente em importadoras, farmácias e clínicas, com busca ativa por eventos adversos relacionados a esses medicamentos em hospitais e serviços de emergência.

Eixo 3 – Articulação institucional e internacional: criação de grupo de trabalho, cooperação com entidades médicas e troca de informações com agências reguladoras internacionais para alinhamento das práticas.

Eixo 4 – Análise de registros: priorização da análise das petições de registro de agonistas de GLP-1 com harmonização das normas com agências como EMA e FDA.

Eixo 5 – Comunicação com a sociedade: desenvolvimento de planos de comunicação clara sobre os riscos do uso indiscriminado, alertas sobre produtos irregulares e campanhas direcionadas a pacientes e profissionais de saúde.

Eixo 6 – Governança: estabelecimento de grupo interno para monitoramento e avaliação contínua do plano de ação.

Impactos esperados para o mercado e usuários das canetas emagrecedoras

Com estas novas medidas, a Anvisa pretende inibir a produção irregular e o consumo de medicamentos sem controle técnico adequado, protegendo a saúde pública. O rigor na revisão das importações e na fiscalização das farmácias de manipulação deve reduzir os riscos associados ao uso indiscriminado desses produtos, que têm ganhado popularidade crescente no Brasil.

O que os pacientes e profissionais devem saber sobre as mudanças

Pacientes que utilizam ou pretendem utilizar as canetas emagrecedoras devem estar atentos às orientações da Anvisa sobre os riscos do uso inadequado e buscar sempre produtos registrados e manipulados conforme as normas vigentes. Profissionais da saúde também são convocados a colaborar com a fiscalização e o monitoramento de efeitos adversos, reforçando a segurança dos tratamentos.

A atuação coordenada da Anvisa, com base nos seis eixos de ação, sinaliza um avanço significativo no enfrentamento dos desafios relacionados às canetas emagrecedoras, buscando equilibrar a oferta com a demanda real e garantir qualidade e segurança aos usuários.

Fonte: metropoles.com