CEO Antonio Filosa destaca a necessidade de equalização para proteger a indústria local frente à capacidade ociosa da China

Antonio Filosa, CEO da Stellantis, alerta para a necessidade de equilíbrio na cadeia automotiva diante da expansão de carros chineses.
A necessidade de equilíbrio na cadeia automotiva segundo Antonio Filosa
O equilíbrio na cadeia automotiva se tornou um tema central para a Stellantis, conforme apontado por seu CEO global, Antonio Filosa, em entrevista exclusiva concedida em 7 de abril de 2026. Ele destacou que o setor enfrenta uma competição acirrada com o “boom” de veículos produzidos na China, que possui uma capacidade ociosa superior a 20 milhões de unidades. Esse cenário pressiona os fabricantes tradicionais a repensarem estratégias para manter a sustentabilidade da cadeia produtiva.
Filosa enfatizou que “essa ociosidade deve ir para algum lugar”, alertando para o impacto que as exportações chinesas podem ter em mercados como Europa e América do Sul, incluindo o Brasil. A competitividade é afetada por disparidades tarifárias, com os EUA impondo tarifas superiores a 100% contra os chineses, enquanto o Brasil mantém um patamar em torno de 25%, o que não é suficiente para equilibrar as condições de mercado.
Impacto da capacidade ociosa chinesa no mercado automotivo global
A capacidade ociosa da indústria automotiva chinesa, estimada por Filosa em mais de 20 milhões de unidades, representa um desafio significativo para os fabricantes globais. Essa oferta excedente pode pressionar os preços e afetar a demanda por veículos produzidos em outros países, alterando a dinâmica competitiva do setor.
Países como a Europa e o Brasil estão na linha de frente dessa disputa, já que apresentam mercados receptivos às exportações chinesas devido a tarifas menos restritivas. Essa situação pode comprometer investimentos locais e a sustentabilidade da cadeia automotiva instalada nas regiões afetadas.
Diferenças tarifárias entre Brasil e Estados Unidos e seus efeitos
Antonio Filosa destacou um aspecto crucial nas estratégias de proteção à indústria automotiva: as diferenças nas tarifas aplicadas a veículos chineses. Nos Estados Unidos, as tarifas contra importações chinesas ultrapassam 100%, o que reduz a pressão competitiva por lá. Já no Brasil, a tarifa média gira em torno de 25%, conferindo uma vantagem competitiva às exportações chinesas em território brasileiro.
Todavia, para Filosa, essa diferença tarifária não basta para garantir a proteção necessária à indústria local. Ele defende que medidas complementares são essenciais para manter a sustentabilidade do setor e evitar um desequilíbrio que comprometa a cadeia produtiva nacional.
A importância da instalação de plantas produtivas para fortalecer o setor
Uma das soluções apontadas pelo CEO da Stellantis para equalizar a competitividade do setor automotivo é a instalação de plantas produtivas no país. Ele usou como exemplo a instalação da Fiat em Betim, Minas Gerais, há cerca de 30 anos. Na época, Betim tinha uma população pequena, mas hoje conta com mais de 400 mil habitantes, demonstrando o impacto socioeconômico positivo gerado pela presença da indústria.
Esse tipo de investimento não apenas fortalece a produção local, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico das regiões envolvidas, gerando empregos e fomentando a cadeia produtiva de forma integrada.
Desafios e perspectivas para a cadeia automotiva brasileira diante da competição chinesa
A competição crescente dos carros chineses no mercado global impõe desafios para a indústria automotiva brasileira, que precisa buscar estratégias para manter seu espaço. Segundo Filosa, refletir sobre uma equalização no setor é fundamental para garantir a sustentabilidade da cadeia de valor instalada no país.
Além das tarifas e da localização das plantas produtivas, o setor precisa se adaptar a novas tecnologias, às demandas por veículos elétricos e às mudanças no perfil do consumidor para se manter competitivo. A cooperação entre governo, indústria e demais atores será crucial nesse processo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Logo CNN Brasil





