Petrobras impõe juros altos no parcelamento do querosene de aviação

Cobrança de 140% do CDI no parcelamento do reajuste surpreende setor aéreo e distribuidoras

Petrobras impõe juros altos no parcelamento do querosene de aviação
Posto de abastecimento de querosene de aviação Foto: by Ton Molina/NurPhoto via Getty Images

Petrobras cobra juros de 1,6% ao mês para parcelar reajuste do querosene de aviação, gerando críticas do setor aéreo e distribuidoras.

Parcelamento do reajuste do querosene de aviação e sua cobrança de juros elevados

A Petrobras implementou um reajuste de 54,8% no preço do querosene de aviação no dia 1º de abril de 2026, oferecendo às distribuidoras do setor a possibilidade de parcelar parte desse aumento em seis vezes, de julho a dezembro do mesmo ano, mediante juros de 1,6% ao mês, o que representa mais de 140% do CDI. Essa medida visa mitigar os impactos imediatos do reajuste, porém causou surpresa e insatisfação entre companhias aéreas e distribuidoras, que não esperavam uma taxa de juros tão elevada para o parcelamento do combustível.

Reação do setor aéreo e das distribuidoras diante da cobrança de juros

As companhias aéreas e distribuidoras criticaram a decisão da Petrobras, alegando que a cobrança de juros altos contradiz o discurso da estatal sobre contribuir para a saúde financeira dos clientes e preservar o funcionamento do mercado. Segundo relatos, a ausência de comunicação clara sobre a incidência dessa taxa e seu percentual elevado agravou a reação dos setores, que enfrentam desafios financeiros diante do aumento dos custos operacionais, especialmente em um contexto de instabilidade nos preços internacionais do petróleo.

Medidas governamentais e o impacto no mercado de aviação

Em contrapartida, o governo federal adotou medidas para aliviar o setor, zerando a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação pelo prazo de dois meses, o que deve gerar uma economia aproximada de R$ 100 milhões para as companhias aéreas. Contudo, outras demandas importantes, como a reversão do aumento do IOF para o setor em 2025 e a restauração da isenção do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves, não receberam sinalizações positivas, evidenciando limitações nas ações de suporte governamental.

Contexto econômico e político do reajuste e suas implicações

O reajuste do querosene de aviação ocorre em meio a um cenário global marcado por elevações expressivas nos preços do petróleo, influenciadas por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio. A Petrobras justifica o mecanismo de parcelamento com juros como uma forma de preservar a demanda pelo produto e assegurar a neutralidade financeira da companhia. Entretanto, o custo adicional gerado pela taxa de juros impõe desafios à sustentabilidade financeira das empresas aéreas, podendo refletir em aumentos de tarifas e redução de competitividade no setor.

Perspectivas para o setor de aviação diante do reajuste e das políticas públicas

A cobrança de juros elevados no parcelamento do querosene de aviação coloca em evidência a necessidade de equilíbrio entre as políticas de preço da Petrobras e as condições financeiras do mercado aéreo. Enquanto as medidas governamentais trazem algum alívio, como a redução de tributos, o setor ainda busca respostas para questões estruturais que afetam seus custos. A situação sugere a importância de uma articulação mais eficaz entre a estatal, o governo e os operadores do setor para garantir a estabilidade do mercado e a continuidade dos serviços de aviação no país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: by Ton Molina/NurPhoto via Getty Images