Estudo da Universidade do Sul da Califórnia revela impacto perigoso da combinação entre MASLD e ingestão episódica de álcool

Estudo mostra que consumo excessivo de álcool nos fins de semana triplica o risco de fibrose hepática em quem já tem gordura no fígado.
Os riscos do consumo excessivo de álcool para quem tem gordura no fígado
O consumo excessivo de álcool, sobretudo nos fins de semana, apresenta efeitos devastadores para o fígado, principalmente em pessoas com gordura acumulada nesse órgão, condição conhecida como esteatose hepática ou MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica). Um estudo recente da Universidade do Sul da Califórnia envolvendo 8.006 indivíduos revela que esta prática pode triplicar o risco de fibrose hepática, um estágio em que o fígado apresenta lesões e cicatrizes, comprometendo sua funcionalidade.
A prevalência do consumo abusivo episódico entre pacientes com MASLD
A pesquisa identificou que cerca de 15% das pessoas com MASLD praticam o consumo excessivo episódico de álcool, definido como a ingestão de ao menos quatro doses para mulheres e cinco para homens em um único dia, pelo menos uma vez ao mês. Essa frequência é mais elevada do que se imaginava anteriormente, evidenciando a necessidade de considerar esse padrão de consumo ao avaliar os riscos para o fígado e outras complicações associadas.
MetALD: a nova classificação para a combinação de gordura e álcool no fígado
A sigla MetALD vem ganhando destaque ao representar a junção do MASLD com o consumo elevado de álcool. Atualmente, essa definição contempla o consumo médio geral de bebidas alcoólicas, mas o estudo sugere que ao incluir o abuso episódico, especialmente nos fins de semana, a prevalência dessa condição poderia mais do que dobrar. Essa alteração pode impactar diretamente na forma como os profissionais de saúde classificam e tratam pacientes com doenças hepáticas.
Impactos clínicos e possíveis mudanças na abordagem médica
O hepatologista Roberto José de Carvalho Filho, da Unifesp, destaca que o estudo reforça a gravidade dos riscos para pacientes que bebem muito durante o fim de semana e já possuem esteatose hepática. Além de aumentar o risco de cirrose, essa combinação pode demandar revisões nas diretrizes clínicas para diagnóstico e manejo dessas condições. Tais discussões estarão em pauta na 35ª Semana do Fígado do Rio de Janeiro, um importante evento da hepatologia brasileira.
Implicações para saúde pública e prevenção
A constatação do efeito explosivo da associação entre gordura no fígado e consumo excessivo episódico de álcool sublinha a urgência em campanhas de conscientização pública e em estratégias de prevenção. A avaliação cuidadosa dos hábitos de consumo de álcool, incluindo episódios de abuso, deve ser incorporada às consultas médicas para identificar populações em risco e prevenir o avanço da fibrose hepática e suas consequências. O alerta é claro: gordura e álcool isoladamente já prejudicam o fígado, mas juntos tornam-se uma combinação ainda mais perigosa.





