Operação coordenada investiga movimentação de R$ 2 bilhões com participação de políticos e organizações criminosas

Investigação prende vereadores e desarticula esquema de lavagem de dinheiro de R$ 2 bilhões ligado a jogos de azar em cinco estados.
Prisão de vereadores e atuação da polícia entre 7 e 8 de abril
A investigação sobre lavagem de dinheiro com jogos de azar resultou na prisão de pelo menos 55 pessoas, incluindo dois vereadores, durante uma operação policial realizada entre terça-feira (7) e a manhã desta quarta-feira (8). A ação ocorreu em 27 cidades distribuídas nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás e Pará. As autoridades cumpriram 371 mandados judiciais, como 85 de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 para bloqueio de contas bancárias, visando o sequestro de R$ 1,5 bilhão. O trabalho da Polícia Civil do Paraná destacou a complexidade e o alcance do grupo criminoso investigado.
Cidades e estados alvo dos mandados judiciais na operação
Paraná: Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina, Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal, Apucarana e Alvorada do Sul.
São Paulo: Praia Grande e São Paulo.
Goiás: Anápolis, Valparaíso de Goiás, Anápolis e Goiânia.
Santa Catarina: Caçador.
- Pará: Castanhal.
Detalhes do esquema bilionário de lavagem envolvendo jogos ilegais
O esquema investigado movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões em cerca de três anos, por meio de mais de 500 mil operações financeiras. A organização criminosa combinava ações de lavagem de dinheiro com a exploração ilegal de jogos de azar, como o “jogo do bicho”, que possuía cerca de 15 mil pontos de exploração. O grupo funcionava como um conglomerado empresarial oriundo da fusão de dois grandes grupos dedicados a jogos ilegais, um do Paraná e outro de Goiás. Utilizavam fintechs e contas de pessoas de fachada para desviar valores, estruturando suas atividades em núcleos financeiros, operacionais, tecnológicos e de suporte.
Impactos e apreensões materiais feitas pela polícia
Durante a operação, foram apreendidos 132 veículos avaliados em mais de R$ 11 milhões, incluindo várias caminhonetes de marcas diversas. Também houve o sequestro de 111 imóveis com valor estimado em mais de R$ 32,9 milhões, além da apreensão de mais de cem cabeças de gado, totalizando mais de R$ 43,9 milhões. A polícia removeu da internet 21 sites de apostas ilegais utilizados pelo grupo, demonstrando o esforço na desarticulação da rede criminosa e no combate à lavagem de dinheiro com jogos de azar.
Tecnologia e estrutura criminal por trás da lavagem de dinheiro
Além das operações financeiras, o grupo mantinha uma empresa de Tecnologia da Informação dedicada ao desenvolvimento de plataformas e sistemas online para explorar diversas modalidades de jogos de azar. Técnicos especializados trabalhavam continuamente para manutenção dos sites e softwares usados no empreendimento ilícito, garantindo o funcionamento da organização. O uso intenso de tecnologia reforça a sofisticação da estrutura criminosa e a dificuldade enfrentada pelas autoridades para desvendar e interromper as operações ilegais.
Métodos investigativos e sigilos bancário e fiscal
Para identificar os envolvidos e reunir provas, os investigadores analisaram mais de 2,6 terabytes de dados e mais de 520 mil operações financeiras. As autoridades recorreram a 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal para acessar informações essenciais sobre o funcionamento do esquema. Esta abordagem minuciosa permitiu mapear a organização e identificar seus líderes e integrantes, incluindo agentes públicos e operadores financeiros.
A operação evidencia um combate intenso e articulado contra a lavagem de dinheiro com jogos de azar, ressaltando a importância da integração entre órgãos públicos e o uso de tecnologia para desarticular grandes organizações criminosas que atuam de forma complexa e com impacto amplo no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: PCPR





