Estudo do banco Daycoval revela que o alto endividamento limita o efeito do aumento da massa salarial no consumo das famílias brasileiras

Alto endividamento reduz o impacto do crescimento da massa salarial no consumo das famílias brasileiras, segundo estudo do banco Daycoval.
Superendividamento afeta consumo das famílias brasileiras em 2025
O superendividamento afeta consumo em meio ao crescimento recorde da massa salarial brasileira em 2025. O estudo do banco Daycoval indica que, embora a renda total gerada pelos trabalhadores tenha aumentado, o impacto esperado no consumo das famílias é limitado pelo alto nível de endividamento. Segundo o levantamento, quando as dívidas ultrapassam 39,6% da renda familiar, o crescimento da massa salarial tem efeito reduzido sobre o consumo.
Relação entre endividamento familiar e resposta do consumo
A pesquisa demonstra que com baixo endividamento, cada ponto percentual de aumento da massa salarial resulta em 0,29 ponto percentual de crescimento no consumo. Porém, quando as dívidas superam o limite crítico de 39,6% da renda, esse efeito cai para 0,17 ponto, representando uma redução de quase 40%. Essa linha de corte revela como o superendividamento trava a capacidade de gastos das famílias, mesmo diante de ganhos salariais expressivos.
O papel do crédito no consumo durante diferentes níveis de endividamento
O estudo também destaca o papel do crédito como variável que altera o comportamento do consumo. Em famílias com menor endividamento, o crédito exerce pouca influência, e o consumo responde predominantemente à renda. Contudo, entre as famílias mais endividadas, o crédito contribui com cerca de 0,10 ponto percentual para o consumo, mostrando que o endividamento elevado leva à dependência do crédito para manutenção do padrão de gastos.
Impacto da pandemia e do pós-pandemia no comportamento do consumo e endividamento
Durante o período da pandemia e até o final de 2022, o crédito ajudou a sustentar a atividade econômica, compensando a menor resposta da renda ao consumo diante do alto endividamento. No entanto, a partir de 2023, com a desaceleração na concessão de crédito, o crescimento do consumo diminuiu cerca de 3 pontos percentuais ao ano em relação ao que teria sido esperado se o endividamento não tivesse ultrapassado o limite crítico, acumulando uma perda de 3,6 pontos percentuais em 2025.
Perspectivas para 2026 e importância da redução do endividamento
O banco Daycoval conclui que, enquanto o endividamento permanecer acima do patamar crítico em 2026, o aumento da massa salarial continuará tendo um efeito limitado no consumo das famílias. A redução das dívidas se torna fundamental para recuperar a dinâmica do consumo e impulsionar a economia. A dependência excessiva do crédito no médio prazo agrava o endividamento e reduz a capacidade das famílias de aumentar seus gastos, mesmo diante de avanços na renda.
Consequências para a economia brasileira e políticas públicas necessárias
O cenário desenhado pelo estudo sugere desafios para o crescimento econômico sustentável, já que o consumo das famílias é motor essencial da atividade. Políticas que promovam a educação financeira, o refinanciamento responsável das dívidas e a ampliação do crédito com critérios prudentes podem ser estratégias para aliviar o superendividamento. Além disso, a busca por aumento real da renda e estímulos ao emprego formal também são fundamentais para reverter o quadro atual.
Considerações finais sobre o superendividamento e consumo em 2025-2026
Em síntese, o superendividamento representa um entrave decisivo para que o crescimento da massa salarial se traduza em aumento do consumo das famílias brasileiras. O estudo do banco Daycoval oferece uma análise detalhada desse fenômeno e aponta para a necessidade urgente de medidas que reduzam o endividamento e promovam a sustentabilidade financeira das famílias, garantindo que o avanço da renda possa refletir-se plenamente na economia nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Endividamento das famílias trava consumo • Drazen Zigic/Freepik





