Paraná lidera o país na menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos

Estado registra índice de 30% de recusa em doações, abaixo da média nacional de 45%, graças a políticas estratégicas e conscientização

Paraná lidera o país na menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos
Equipe médica prepara transplante no Paraná. Foto: Albari Rosa/Arquivo SESA

Paraná destaca-se no Brasil com a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos, alcançando 30% contra 45% nacional.

Paraná registra menor taxa de recusa para doação de órgãos no Brasil

O Paraná, consolidando-se como líder nacional, mantém a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos do país, com índice de 30%, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Esta marca significativa, registrada em 2025, contrasta com a taxa média nacional de 45%, refletindo o impacto das políticas estratégicas implementadas pelo Sistema Estadual de Transplantes, conforme destaca o secretário de Estado da Saúde, César Neves. Ao lado de Santa Catarina, o Paraná demonstra que a combinação de qualificação profissional e diálogo social são essenciais para a redução do número de recusas familiares.

Detalhes da estrutura e ações que fortaleceram o Sistema Estadual de Transplantes

O avanço do Paraná no campo dos transplantes está diretamente ligado a investimentos em capacitação das equipes responsáveis pela abordagem familiar. A Central Estadual de Transplantes (CET/PR), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, implementou fluxos padronizados e monitoramento rigoroso dos indicadores de doação. A atuação integrada entre a CET, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) e a rede hospitalar permite um acolhimento humanizado e multiprofissional, assegurando uniformidade nas melhores práticas em todas as unidades de saúde. Essa estratégia tem sido fundamental para garantir que as famílias sintam-se seguras em momentos delicados, facilitando o processo de autorização para doação.

Impacto positivo na vida dos pacientes transplantados e conscientização social

Exemplo claro do efeito das doações de órgãos é Mariana Chuch, transplantada de coração há quase um ano. Diagnosticada com miocardiopatia dilatada desde os primeiros dias de vida, ela enfrentou graves complicações e recebeu um coração compatível que lhe devolveu saúde e qualidade de vida. Mariana hoje cursa o terceiro ano do Ensino Médio, focada em prestar vestibular para Psicologia, e expressa gratidão pela segunda chance. A família Chuch, que também convive com condições genéticas semelhantes, tornou-se defensora da doação, declarando-se doadora de órgãos. Essa conscientização familiar é um elemento crucial para ampliar o número de doadores e reduzir recusas.

Estatísticas recentes e o cenário nacional dos transplantes no Brasil e no Paraná

Em 2025, o Brasil registrou mais de 4.900 transplantes de rins e 13 mil de córneas, liderando as estatísticas nacionais. No Paraná, a Central Estadual de Transplantes coordenou 445 transplantes de rins e 1.066 de córneas, além de 31 transplantes de coração. Nos primeiros dois meses de 2026, o estado já contabilizou 123 órgãos doados, incluindo três transplantes cardíacos. O uso de aeronaves para transporte dos órgãos exemplifica a eficiência logística adotada. O Paraná foi recordista nacional em 2024, com 896 órgãos e 1.247 córneas doados, consolidando-se como referência no Brasil.

A importância da comunicação e da declaração prévia de vontade para o sucesso das doações

A coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni, reforça que a declaração prévia de vontade para a doação aos familiares é o método mais eficaz para garantir a liberação dos órgãos. No Brasil, apenas parentes próximos podem autorizar a captação após comprovação médica da viabilidade. Por isso, a comunicação aberta sobre o desejo de ser doador é imprescindível para evitar recusas e acelerar processos que salvam vidas. A lista única nacional de espera para transplantes atua com critérios rigorosos, baseados na gravidade clínica, tempo de espera, compatibilidade sanguínea e anatômica, garantindo justiça e transparência no atendimento dos pacientes.

A redução da menor taxa de recusa para doação de órgãos no Paraná demonstra que políticas públicas focadas em educação, humanização e estruturação técnica podem transformar realidades e salvar milhares de vidas, servindo de exemplo para demais estados brasileiros.