Abstenção prejudica Lula no segundo turno, avalia especialista da Nexus

CEO da empresa aponta que base eleitoral de baixa renda do candidato tem maior propensão ao não comparecimento às urnas

Abstenção prejudica Lula no segundo turno, avalia especialista da Nexus
Urna eletrônica. Foto: Análise: pesquisas apontam favoritismo de Flávio contra Lula

CEO da Nexus afirma que taxa de abstenção representa fator desfavorável para Lula no segundo turno e que crescimento nas pesquisas pode não ser suficiente

A taxa de abstenção prejudica Lula no segundo turno, de acordo com análise de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, realizada para a cobertura eleitoral de portal de notícias.

Tokarski reconheceu que todas as pesquisas apontam tendência de crescimento de Lula nas três semanas após o primeiro turno. No entanto, ressaltou que caso a votação tivesse ocorrido na data da entrevista, o resultado provavelmente não seria favorável ao candidato.

“Lula segue atrás nos votos totais e quando se faz a conta do eleitor provável, o efeito da abstenção tende até a melhorar um pouco a vantagem que Flávio Bolsonaro tem hoje”, afirmou Tokarski.

O especialista explicou que a abstenção atua contra Lula da mesma forma que ocorreu no primeiro turno. Isso porque o candidato concentra sua base eleitoral em segmentos com maior propensão ao não comparecimento às urnas.

“Ele é um candidato mais votado por eleitores de baixa renda, de baixa escolaridade, acima dos 70 anos, que são eleitores que tendem a ter um percentual maior de abstenção”, disse Tokarski.

Para o CEO da Nexus, a capacidade do PT de mobilizar seu eleitorado seria determinante para o resultado final da eleição.

Em entrevistas realizadas pela Nexus no dia anterior à votação, pouco mais de 4% dos eleitores afirmaram que ainda poderiam mudar de voto. Tokarski avaliou que tanto o tempo quanto a margem disponíveis para mudanças eram estreitos.

“O fôlego na reta final talvez possa não ter sido suficiente”, ponderou o especialista, ressaltando que a declaração foi feita com cerca de 24 horas de antecedência ao fechamento das urnas.

Ambos os candidatos alteraram suas estratégias de campanha após o primeiro turno. Segundo Tokarski, Lula havia conduzido uma campanha mais institucional na primeira fase, apostando na liderança que ostentava nas pesquisas.

“Fez uma campanha mais institucional ali, de presidente e assim por diante”, comentou o CEO da Nexus sobre a estratégia de Lula na primeira rodada eleitoral.