Um estudo recente revela práticas anticompetitivas na indústria farmacêutica.

Um estudo revela práticas anticompetitivas entre grandes laboratórios de medicamentos.
Recentemente, um estudo elaborado pelo ex-conselheiro do CADE, Luiz Hoffmann, e pelo advogado Pedro Victhor Lacerda, trouxe à luz um padrão alarmante de abuso de preços na indústria farmacêutica. O livro intitulado “Condutas Anticompetitivas no Setor Farmacêutico” analisa 129 casos de práticas abusivas, revelando que 70% deles resultaram em condenações, o que evidencia a prevalência de condutas anticoncorrenciais.
O que revela o estudo?
O estudo destaca que muitos laboratórios globais utilizam sua posição dominante no mercado para praticar preços exorbitantes. Em alguns casos, os medicamentos chegam a custar até 1.400% a mais do que deveriam. As práticas incluem formação de cartéis, pagamento a concorrentes para impedir a entrada de genéricos e a criação de barreiras artificiais ao mercado.
A posição do Sindusfarma
O Sindusfarma, por sua vez, discorda dessa análise. Em sua defesa, a entidade afirma que a abordagem de um padrão de abuso é simplista, ignorando a complexidade envolvida no desenvolvimento de novos medicamentos, que pode levar mais de uma década e requer investimentos bilionários. Eles enfatizam que a proteção patentária é fundamental para viabilizar esses investimentos.
Fatores que favorecem abusos
A concentração do setor farmacêutico e as altas barreiras de entrada são fatores que contribuem para essa dinâmica. Hoffmann explica que, quando uma empresa detém a patente de um medicamento, ela se torna monopolista. Essa concentração de poder econômico pode levar a abusos, especialmente em um mercado onde o consumidor não tem conhecimento adequado sobre o medicamento prescrito.
Exemplos internacionais
O estudo mapeou casos emblemáticos, como o da África do Sul, onde medicamentos para HIV foram vendidos a preços quatro vezes superiores ao justo, resultando na exclusão de metade da população necessitada. Na União Europeia, um caso de uma empresa que aumentou preços em até 300%, mesmo sem patente, foi igualmente alarmante.
A situação no Brasil
No Brasil, um caso notório está prestes a ser julgado, envolvendo a escopolamina, com indícios de cartel internacional. Hoffmann observa que, embora o Brasil tenha mecanismos regulatórios, como a CMED, que estabelece preços máximos para medicamentos, a comparação com outros países, especialmente os EUA, pode não ser a mais adequada.
Conclusões e soluções
Para mitigar esses abusos, Hoffmann sugere o fortalecimento das instituições regulatórias e uma maior interação com a CMED. O objetivo é garantir que a proteção patentária não sirva como justificativa para práticas abusivas, preservando a saúde da população e o acesso a medicamentos essenciais. O estudo ressalta a importância de uma discussão contínua sobre a política de preços e práticas do setor farmacêutico, visando a transparência e a justiça no acesso a medicamentos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





