A ação do MPF sobre a memória de João Cândido em 2025

Entenda o contexto da ação civil contra a União e a Marinha do Brasil.

A ação do MPF sobre a memória de João Cândido em 2025
João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. Foto: Marinha do Brasil • (Horacio Villalobos Corbis/Getty Images) — Foto: Marinha do Brasil  • (Horacio Villalobos Corbis/Getty Images)

MPF processa a União por declarações da Marinha sobre a memória de João Cândido.

Ação do MPF sobre a memória de João Cândido

A memória de João Cândido Felisberto, importante figura da Revolta da Chibata, voltou a ser tema de debate público em 2025, quando o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil coletiva contra a União. O órgão busca responsabilizar o governo federal por manifestações da Marinha do Brasil que, segundo o MPF, são consideradas ofensivas ao legado de Cândido.

Contexto histórico da Revolta da Chibata

A Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, foi um movimento liderado por marinheiros que lutavam contra o castigo corporal e as péssimas condições de trabalho na Marinha brasileira. João Cândido, reconhecido como um dos líderes desse movimento, se tornou um símbolo da luta por direitos e dignidade para os membros das Forças Armadas. A sua história, no entanto, sofreu diversas tentativas de apagamento e distorção ao longo dos anos, especialmente nas narrativas oficiais.

A ação do MPF e suas implicações

A ação do MPF pede que a Justiça Federal condene a União ao pagamento de R$ 5 milhões, quantia que deverá ser destinada a projetos que promovam a valorização da memória de João Cândido. O motivo para essa cobrança são declarações feitas pela Marinha, em abril de 2024, que consideraram a Revolta da Chibata uma “deplorável página da história nacional”. Essa caracterização negativa, somada a um projeto que busca inscrever Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, gerou controvérsia e indignação.

No documento enviado à Câmara dos Deputados, o comandante da Marinha expressou sua oposição ao projeto de lei, o que foi interpretado pelo MPF como um ataque direto à memória do líder revolucionário. Isso motivou uma recomendação do MPF para que a Marinha se abstivesse de realizar declarações que desabonassem a trajetória de Cândido. Contudo, a resposta da Marinha foi de que as manifestações eram meras reflexões de uma “perspectiva histórica” da instituição, sem intenção de ofender.

O que vem a seguir?

O MPF, por meio desta ação, busca não apenas a reparação financeira, mas também a proteção da memória de João Cândido contra novas manifestações que possam desqualificá-lo. A questão abrange uma discussão mais ampla sobre como a história é contada e quem são os protagonistas reconhecidos nas narrativas oficiais. A expectativa agora recai sobre a resposta do Judiciário e as possíveis repercussões que essa ação pode ter na forma como a Marinha e outras instituições tratam questões de memória histórica.

A CNN Brasil tentou contato com a Marinha do Brasil para obter uma posição oficial sobre a ação, mas ainda aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Marinha do Brasil  • (Horacio Villalobos Corbis/Getty Images)