Acordo Mercosul UE pode ser aprovado no Congresso ainda em 2026

Governo brasileiro espera internalizar tratado comercial até o segundo semestre, impulsionando comércio bilateral

Acordo Mercosul UE pode ser aprovado no Congresso ainda em 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin comenta o avanço do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Foto: O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comenta o avanço do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Acordo Mercosul UE deve ser aprovado pelo Congresso brasileiro ainda em 2026, acelerando integração comercial e benefícios econômicos.

Expectativa da aprovação do acordo Mercosul UE no Congresso brasileiro em 2026

O acordo Mercosul UE está prestes a avançar no Congresso brasileiro ainda neste semestre, conforme declarou o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em reunião realizada em Bruxelas, os países europeus acordaram seguir com o tratado que, após assinado, deverá ser ratificado pelos parlamentos dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e pelo Parlamento Europeu. Alckmin destacou que a aprovação no Congresso nacional é fundamental para a internalização do acordo e para que ele entre em vigor ainda neste ano.

Alckmin ressaltou a intenção do governo brasileiro de antecipar a aprovação para evitar dependência das decisões dos demais membros do Mercosul, especialmente diante da resistência de alguns países, como a Argentina. Essa estratégia busca fortalecer o posicionamento brasileiro e acelerar os benefícios econômicos previstos com o acordo.

Benefícios econômicos e impacto no comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia

O acordo Mercosul UE deve impulsionar o comércio bilateral, que atualmente movimenta cerca de US$ 92 bilhões, e tem potencial para gerar um efeito positivo de R$ 37 bilhões no Brasil até 2044. Essa contribuição corresponde a aproximadamente 0,34% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos próximos 20 anos.

Além do crescimento econômico, o tratado prevê aumento de 0,76% nos investimentos, somando R$ 13,6 bilhões, e elevação real dos salários em 0,42%, superando a inflação. Esses números indicam que o acordo pode fortalecer diversos setores produtivos brasileiros, principalmente o agronegócio, tradicionalmente um dos mais beneficiados em negociações comerciais.

Resistências e desafios na ratificação do acordo na União Europeia

Apesar do avanço, a aprovação do acordo enfrentará desafios no Parlamento Europeu. Países como a França lideram a resistência, preocupados com o aumento das importações de produtos agrícolas a preços mais baixos, o que poderia impactar negativamente os produtores locais. Cerca de 150 eurodeputados manifestaram a intenção de recorrer à Justiça para impedir a aplicação do tratado.

Protestos agrícolas já foram registrados em diferentes regiões da União Europeia, refletindo a tensão em torno do pacto. A ratificação exige o apoio de pelo menos 15 países que representem 65% da população do bloco europeu, o que torna o cenário político incerto.

Agenda prevista para a assinatura oficial do acordo Mercosul UE

Está prevista para o dia 17 de janeiro uma cerimônia oficial de assinatura do acordo, organizada pelo Paraguai, atual presidente do Mercosul. O evento contará com a participação dos chanceleres dos quatro países sul-americanos e representantes da União Europeia, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente Lula, embora entusiasta do acordo, não deverá comparecer à cerimônia.

Essa assinatura marcará um momento histórico para o multilateralismo e a integração comercial, fortalecendo os laços entre América do Sul e Europa em um contexto global marcado por instabilidades geopolíticas.

Significado político e diplomático do acordo para o Brasil e o mundo

O vice-presidente Alckmin destacou que o acordo representa um fortalecimento do multilateralismo em um momento de instabilidade global e conflitos internacionais. Para o governo brasileiro, o pacto é uma demonstração de compromisso com o diálogo, a cooperação e a integração entre blocos econômicos.

O presidente Lula classificou o avanço como um “dia histórico para o multilateralismo”, ressaltando a vitória do diálogo e da negociação. A concretização do acordo também reforça o papel do Brasil no cenário internacional e abre oportunidades para ampliar investimentos e desenvolvimento econômico.

O tratado elimina tarifas significativas que incidem sobre produtos comercializados entre os blocos, como peças automotivas, laticínios e vinhos, abrindo espaço para maior competitividade e desenvolvimento dos setores produtivos envolvidos.

Fonte: noticias.uol.com.br

Fonte: O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB