Mercado de açúcar registra mínimas recentes influenciado por maior produção mundial e desvalorização da moeda brasileira

Os preços do açúcar recuam nas bolsas internacionais pressionados pela alta oferta global e desvalorização do real brasileiro.
Nesta quarta-feira (10), o açúcar recua nas principais bolsas internacionais, refletindo um mercado concentrado no aumento da oferta global e na desvalorização do real brasileiro. Essa combinação tem exercido pressão sobre os preços, que alcançaram níveis mínimos em semanas, tanto em Nova York quanto em Londres. O cenário envolve atores centrais como usinas brasileiras e exportadores tailandeses, que ampliam a competitividade do produto no mercado externo.
Desvalorização do real e competitividade nas exportações brasileiras
O real brasileiro alcançou seu menor patamar em aproximadamente dois meses e meio frente ao dólar, fator que favorece as exportações nacionais de açúcar. Essa desvalorização torna o produto brasileiro mais atraente para compradores internacionais, estimulando as vendas externas das usinas. Consequentemente, o aumento da oferta no mercado internacional tem pressionado as cotações para baixo, refletindo o impacto direto da moeda sobre a dinâmica comercial.
Impacto da alta do petróleo na oferta de açúcar e etanol
Embora o petróleo tenha apresentado valorização superior a 3% no contrato WTI, fortalecendo a competitividade do etanol, esse efeito tem limitado parcialmente as perdas do açúcar. A valorização dos combustíveis encoraja as usinas a direcionar maior parte da cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis, o que poderia reduzir a oferta de açúcar. No entanto, esse efeito ainda não tem sido suficiente para contrabalançar a pressão causada pelo aumento da produção global.
Dados da produção no Brasil e crescimento das exportações na Tailândia
Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar do Centro-Sul brasileiro atingiu 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, um crescimento de 55,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço decorre principalmente da melhora na qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose aumentando 5,4% na comparação anual. Paralelamente, a Tailândia, segundo maior exportador mundial, registrou exportações de 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, avanço de 29% comparado ao mesmo intervalo do ano passado.
Mercado físico brasileiro enfrenta baixa movimentação e preços enfraquecidos
No mercado doméstico, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) observa negociações lentas para o açúcar cristal, atribuídas à oferta abundante no início da safra. Esta situação mantém os preços pressionados para baixo, dificultando movimentos de recuperação. Na última sexta-feira (5), o Indicador Cepea/Esalq registrou o preço do açúcar cristal em R$ 93,24 por saca, praticamente estável em relação à semana anterior, evidenciando a cautela dos agentes frente ao cenário de oferta robusta.
Perspectivas e desafios para o setor sucroenergético diante do cenário atual
O cenário atual do açúcar, com preços em queda e produção global elevada, impõe desafios para o setor sucroenergético brasileiro. A valorização do etanol apresenta uma oportunidade para ajustar a destinação da cana-de-açúcar, equilibrando a oferta entre açúcar e biocombustível. No entanto, a desvalorização cambial e o aumento da produção mundial exigem estratégias para manter a competitividade e estabilidade dos preços no médio prazo, garantindo sustentabilidade para os produtores e usinas.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br





