Desafios de adolescentes multissistêmicos unem pesquisadores EUA e Brasil

Professora da Texas Tech University discute proteção social e justiça juvenil em palestra na UEPG

Desafios de adolescentes multissistêmicos unem pesquisadores EUA e Brasil
Palestra sobre adolescentes multissistêmicos no auditório da UEPG. Foto: Tierri Angeluci

Especialista americana apresenta pesquisa comparativa sobre jovens envolvidos simultaneamente em sistemas de proteção, justiça e saúde mental nos EUA e Brasil.

Adolescentes multissistêmicos: uma realidade compartilhada entre Brasil e Estados Unidos

Os desafios enfrentados por adolescentes envolvidos simultaneamente em diferentes sistemas de proteção social, justiça juvenil, educação e saúde mental não distinguem fronteiras geográficas ou econômicas. A constatação partiu de pesquisadora americana durante apresentação realizada no Grande Auditório do Campus Centro da Universidade Estadual de Ponta Grossa, na segunda-feira 15 de junho.

Elizabeth Trejos-Castillo, professora da Texas Tech University, trouxe uma perspectiva comparative enraizada em quase uma década de colaboração com o Departamento de Serviço Social da instituição paranaense. Seu trabalho, centrado em políticas públicas e práticas sociais, revela paralelismos surpreendentes entre as realidades dos dois países.

Fenômeno dos adolescentes multissistêmicos transcende contextos nacionais

O termo “adolescentes multissistêmicos” designa jovens que se encontram simultaneamente sob a interceptação de múltiplos aparatos institucionais. Esses adolescentes apresentam demandas complexas e demandam recursos específicos para seu desenvolvimento adequado.

Segundo a professora, essa problemática não resulta de particularidades culturais ou socioeconômicas isoladas de um país. Ambas as nações enfrentam questões estruturais semelhantes ao atender essa população. A intersecção entre as esferas de proteção, educação e saúde mental cria dinâmicas que desafiam políticas públicas em contextos diversos.

A pesquisadora enfatizou a importância de compreender esses processos para subsidiar intervenções mais efetivas. A análise comparativa permite identificar boas práticas e lacunas em diferentes sistemas.

Colaboração internacional consolidada em Ponta Grossa

A parceria entre Elizabeth Trejos-Castillo e a UEPG originou-se de forma orgânica. Uma aluna do programa de pós-graduação deslocou-se aos Estados Unidos para completar doutorado em nível sandwich, trabalhando sob orientação da professora americana.

Posterior à experiência bem-sucedida, Trejos-Castillo passou aproximadamente cinco meses e meio em Ponta Grossa durante 2018. Nesse período, consolidou relações de trabalho com o Departamento de Serviço Social que perduram até 2026.

A professor relata sentir-se integrada ao corpo acadêmico local, descrevendo-se como “parte do Departamento”. Esse vínculo pessoal transcende a colaboração meramente institucional, alimentando intercâmbios contínuos de pesquisa e conhecimento.

Participação expressiva de profissionais e pesquisadores

O evento reuniu 83 participantes oriundos de múltiplas áreas de atuação. Estudantes dos cursos de Serviço Social e Psicologia frequentaram a apresentação, assim como pesquisadores vinculados ao Programa de Ciências Sociais Aplicadas.

Além do público acadêmico, profissionais do sistema socioeducativo de Ponta Grossa e técnicos da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) marcaram presença. Essa pluralidade de perspectivas enriqueceu o diálogo e possibilitou trocas entre teoria e prática profissional.

Silmara Carneiro e Silva, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Estado, Políticas Públicas e Práticas Sociais (Nepepps), organizou a atividade e reconheceu seu alcance. Segundo ela, a palestra cumpriu objetivo de compartilhar realidades dos sistemas protetivos e de justiça juvenil norte-americanos com audiência brasileira.

Importância das pesquisas cross-culturais para avanço institucional

A coordenadora destacou que a fala de Elizabeth Trejos-Castillo revelou similitudes substanciais entre desafios enfrentados nos Estados Unidos e no Brasil. Essa constatação reforça a relevância de investigações que atravessam fronteiras culturais.

Carvalho e Silva enfatizou que estudos comparativos ampliam a compreensão de fenômenos sociais complexos. A circulação internacional de pesquisadores e conhecimentos acelera inovações em políticas públicas.

Ela recomendou amplificação das colaborações internacionais como estratégia para fortalecer a produção de conhecimento em temas como proteção social, justiça juvenil e saúde mental adolescente. O intercâmbio não apenas beneficia pesquisadores individuais, mas enriquece instituições e comunidades que acessam os resultados.

A presença de Trejos-Castillo em Ponta Grossa representou mais uma etapa dessa jornada colaborativa, gerando novas indagações e perspectivas para futuras investigações.