Setor aéreo teme impacto do reajuste do QAV nas passagens e conectividade; governo cobra Petrobras por medidas

Setor aéreo alerta para impacto do preço do querosene de aviação nas passagens; governo tenta conter os efeitos junto à Petrobras.
O impacto do preço do querosene de aviação no setor aéreo brasileiro
O preço do querosene de aviação (QAV) está no centro das atenções do setor aéreo nesta semana, com projeções de alta significativa devido à guerra no Oriente Médio. A expectativa de reajuste, tradicionalmente anunciado pela Petrobras antes do início de cada mês, preocupa companhias aéreas que alertam para consequências diretas aos consumidores, como aumento nas passagens e até a suspensão de voos para algumas cidades.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível representa cerca de 30% do custo das passagens aéreas. Em situações de choque de oferta, essa participação pode subir para 50%, como foi observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Naquele ano, o preço do QAV alcançou R$ 5,08 por litro, comparado aos atuais R$ 3,58 no último reajuste entre fevereiro e março, o que levou a um crescimento de mais de 100% nas tarifas aéreas, conforme o IPCA.
Ações do governo para mitigar a volatilidade do preço do QAV
Frente a esse cenário de instabilidade, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) propôs três medidas para amenizar o impacto do aumento do QAV sobre as companhias aéreas. As ações incluem:
Redução da alíquota de PIS/Cofins sobre o QAV até o final do ano, semelhante ao que foi aplicado ao diesel;
Isenção da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para empresas aéreas;
- Redução do Imposto de Renda incidente sobre leasing de aeronaves, diminuindo custos fixos significativos para as companhias.
Essas propostas, porém, ainda aguardam posicionamento do Ministério da Fazenda, que não se manifestou até o fechamento desta análise. O ministro Silvio Costa Filho reforçou o apelo por intervenções junto à Petrobras, Casa Civil e Ministério de Minas e Energia para conter os reajustes e preservar a expansão do transporte aéreo no país.
Consequências para a conectividade e o consumidor brasileiro
A volatilidade do preço do petróleo, associado aos conflitos internacionais, pressiona os custos operacionais das companhias aéreas. Como resultado, pode ocorrer a redução da oferta de serviços, impactando diretamente a conectividade entre cidades brasileiras, com possibilidade de cancelamento de rotas menos lucrativas.
O setor destaca que 80% do QAV consumido no Brasil é produzido internamente pela Petrobras, o que poderia amortecer impactos externos. Entretanto, caso a estatal siga a tendência de aumentos internacionais, o resultado poderá ser a elevação das tarifas aéreas, prejudicando a democratização do transporte e o acesso da população a viagens aéreas.
O panorama internacional que influencia os preços do QAV
Além do preço do petróleo tipo Brent, que subiu quase 50% desde o início do conflito no Oriente Médio em fevereiro, o setor acompanha a variação do heating oil, derivado usado para aquecimento, que teve alta de aproximadamente 71% após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Esses indicadores refletem diretamente no custo do querosene de aviação e, consequentemente, no preço das passagens.
Desafios e perspectivas para a indústria aérea nacional
A indústria da aviação brasileira enfrenta o desafio de equilibrar a alta dos custos operacionais com a necessidade de manter a oferta e acessibilidade dos serviços. A pressão sobre o preço do querosene de aviação pode levar a ajustes que afetem a competitividade do setor e a conectividade regional.
O governo federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, demonstra empenho em buscar soluções fiscais e negociações com a Petrobras para mitigar os efeitos do cenário externo. No entanto, a demora na resposta do Ministério da Fazenda gera incertezas sobre a efetividade das medidas propostas e o futuro próximo do transporte aéreo brasileiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Agência Brasil





