Agressor de Maria da Penha e outros três são denunciados por ataques virtuais

Ministério Público do Ceará denuncia ex-marido e colaboradores por campanha de ódio contra a ativista

Agressor de Maria da Penha e outros três são denunciados por ataques virtuais
Maria da Penha durante evento público Foto:

Ex-marido de Maria da Penha e três outras pessoas viram réus por ataques virtuais organizados contra a ativista e pela divulgação de laudo falso.

Marco Antônio Heredia Viveiros e outros três viram réus por ataques a Maria da Penha

O agressor de Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveiros, ex-marido da ativista, junto com Alexandre Gonçalves de Paiva, Marcus Vinícius Mantovanelli e Henrique Barros Lesina Zingano, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por campanhas de ódio, stalking e cyberstalking. A denúncia, aceita pela Justiça no dia 9 de março de 2026, detalha que o grupo atuou de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a Lei Maria da Penha.

Estratégias utilizadas na campanha de ódio e perseguição contra a ativista

Segundo a denúncia do Núcleo de Investigação Criminal (Nic), os réus utilizaram perseguições virtuais, notícias falsas e um laudo adulterado para sustentar a inocência de Marco Antônio Heredia, já condenado por tentativa de homicídio. O influenciador Alexandre Paiva chegou a se deslocar até a antiga residência de Maria da Penha em Fortaleza para gravar vídeos depreciativos, configurando stalking e cyberstalking, com agravantes de violência contra mulher e pessoa idosa.

Documentário polêmico e uso de laudo adulterado para manipular narrativa

O documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”, produzido por Mantovanelli e Zingano, utilizou um laudo forjado de exame de corpo de delito para tentar comprovar a inocência de Heredia. A perícia oficial concluiu que o documento foi adulterado com informações falsas e divergências nas assinaturas e carimbos, mas o material foi amplamente divulgado para questionar a narrativa da tentativa de homicídio.

Impacto dos ataques e proteção a Maria da Penha

A denúncia relata que os ataques virtuais e perseguições causaram perturbação à integridade psíquica e à tranquilidade da ativista, que tem mais de 60 anos. Em decorrência da gravidade, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, recebendo acompanhamento do Ministério Público do Ceará.

Histórico do caso e importância da Lei Maria da Penha

Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de homicídio pelo então marido em 1983, ficando paraplégica. O caso teve longa tramitação judicial e se tornou marco para a criação da Lei Maria da Penha em 2006, uma das principais normas de combate à violência doméstica no Brasil. Apesar da relevância da legislação, a ativista segue sendo alvo de ataques virtuais, especialmente a partir de 2024, por grupos digitais que disseminam conteúdo misógino e desinformação.

A investigação que resultou na denúncia integra a Operação Echo Chamber, que atua contra a propagação de fake news e ataques cibernéticos relacionados ao caso. O processo reforça o enfrentamento jurídico contra a violência virtual e a defesa dos direitos humanos em meio digital.

Fonte: www.metropoles.com