Agro brasileiro negocia abertura de mercado para feijão e frango na Índia

Viagem de Lula à Índia foca em ampliar exportações agrícolas com redução de tarifas e barreiras sanitárias

Agro brasileiro negocia abertura de mercado para feijão e frango na Índia
Reunião da equipe do Ministério da Agricultura para negociação com a Índia Foto:

Negociações entre Brasil e Índia buscam abertura de mercado para feijão guandu e cortes de frango, durante viagem de Lula ao país asiático.

Principais negociações agrícolas durante a viagem de Lula à Índia

A abertura de mercado para feijão guandu e a redução das tarifas sobre cortes de frango brasileiro são os pontos centrais da agenda da equipe agrícola na viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, marcada para 17 de janeiro de 2026. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, o Brasil busca avanços técnicos para liberar exportações do feijão guandu, produto com grande potencial, e negociar a diminuição das tarifas de cerca de 100% aplicadas pela Índia sobre o frango.

Contexto da abertura de mercado para feijão guandu e frango

A abertura de mercado para feijão e frango na Índia é estratégica para o agronegócio brasileiro. A Índia é o maior consumidor mundial do grão, peça fundamental na alimentação local, embora enfrente instabilidades na produção que a levam a importar em alguns anos. O Brasil, com produção concentrada nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, possui capacidade competitiva para atender a demanda caso o acesso seja liberado. Já para o frango, a redução das tarifas é fundamental para ampliar a presença brasileira num mercado atualmente restrito por barreiras tarifárias elevadas, com potencial para um mecanismo de cotas que garanta previsibilidade comercial.

Diversificação da pauta exportadora e negociações bilaterais

Além do feijão e do frango, o governo brasileiro tem buscado ampliar sua pauta exportadora para a Índia com produtos como DDG (subproduto do etanol de milho), farinhas de origem animal, madeira e erva-mate. As negociações bilaterais também incluem demandas indianas, como a abertura do mercado brasileiro para a romã produzida na Índia, buscando fortalecer o comércio agrícola em ambas as direções. Durante a viagem, estão previstas a assinatura de atos bilaterais e a discussão da ampliação do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia.

Impacto econômico e metas para o comércio bilateral

A relação comercial entre Brasil e Índia movimenta atualmente cerca de US$ 12 bilhões por ano, valor considerado modesto diante do potencial das duas economias. Os governos têm a meta oficial de elevar esse montante para cerca de US$ 20 bilhões até o final da década. A presença do presidente Lula na Índia é vista como um fator político decisivo para impulsionar essas negociações e consolidar a estratégia de diversificação dos mercados do agronegócio brasileiro, especialmente em países com grande consumo interno.

Agenda presidencial e cooperação tecnológica e empresarial

A viagem presidencial inclui participação na Cúpula de Inteligência Artificial e encontros com empresários no Fórum da Apex-Brasil em Nova Délhi. Temas como segurança alimentar, inovação agrícola e cooperação comercial serão pauta dos encontros. A agenda contempla também a inauguração do escritório da Apex-Brasil na capital indiana, reforçando o compromisso brasileiro com a expansão comercial e tecnológica na região.

Próximos passos após a Índia: foco na Coreia do Sul

Após a etapa indiana, a comitiva brasileira seguirá para a Coreia do Sul, onde o objetivo principal será relançar as negociações para exportação de carne bovina brasileira. O mercado sul-coreano é considerado estratégico, sendo um dos maiores importadores de carne bovina da Ásia e conhecido por pagar prêmios elevados por proteína de alta qualidade. A retomada das conversas envolverá inspeções sanitárias e avaliação de protocolos, com a participação de representantes do setor privado, como o presidente da Abiec, Roberto Perosa. A presença presidencial deve ajudar a reativar o diálogo e acelerar o processo técnico necessário para a abertura do mercado sul-coreano.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br