Alcolumbre fraciona votação do PL da dosimetria em meio a críticas do governo

Presidente do Congresso retira trechos do projeto para preservar mudanças do PL antifacção, gerando controvérsia política

Alcolumbre fraciona votação do PL da dosimetria em meio a críticas do governo
Senador Davi Alcolumbre durante sessão no Congresso Nacional. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Senador Davi Alcolumbre fraciona votação do PL da dosimetria, gerando denúncia de manobra pelo governo em meio a debate sobre progressão de penas.

Contexto da votação do PL da dosimetria e o papel de Davi Alcolumbre

A votação do PL da dosimetria no Congresso Nacional, realizada em 30 de abril de 2026, passou por um episódio inédito quando o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu fracionar a análise do veto presidencial. A votação do PL 2.162 de 2023, que reduz o tempo para progressão de penas de condenados envolvidos em atos relacionados ao 8 de janeiro de 2023, estava marcada para ser analisada integralmente. Contudo, Alcolumbre retirou do debate os incisos 4 ao 10 do artigo 1º, que modificavam o artigo 112 da Lei de Execução Penal, alegando que esses dispositivos prejudicariam as mudanças previstas no PL antifacção, que endureceu os critérios para progressão de regime nas penas.

Controvérsias legais e política em torno do fracionamento do veto

A decisão de Alcolumbre gerou forte reação do governo, que afirmou se tratar de uma manobra ilegal e sem precedente, já que a legislação brasileira prevê que vetos presidenciais devem ser analisados de forma integral pelo Congresso, não permitindo seu fatiamento. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacou que a fase de elaboração do projeto já foi encerrada e que o Congresso deve apenas concordar ou rejeitar o veto. A questão foi levada à apreciação do plenário, mas o apelo da liderança governista foi rejeitado pelo presidente do Senado.

Implicações para condenados do 8 de janeiro e outros casos

O PL da dosimetria, ao reduzir o tempo para progressão de penas, poderia beneficiar condenados por crimes contra a democracia, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros militares e autoridades envolvidas na trama golpista de 8 de janeiro de 2023. O projeto altera o cálculo das penas, determinando que crimes cometidos no mesmo contexto — tentativa de dissolução do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado — sejam punidos com a pena mais grave aplicada, ao invés da soma das penas. Esta mudança é vista por críticos como um retrocesso que pode enfraquecer a resposta penal a ataques contra a ordem democrática.

Argumentos de deputados e senadores sobre os efeitos do PL

Durante a sessão, a liderança do governo na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), sustentou que a redução casuística das penas viola a Constituição e ameaça a estabilidade democrática, ao reduzir a resposta penal aos ataques contra a normalidade constitucional. Por outro lado, a deputada Bia Kicis (PL-DF) defendeu a decisão de Alcolumbre, alegando que o fracionamento da votação evita efeitos indesejados do PL da dosimetria que não foram previstos pelo legislador e que poderiam anular o endurecimento das penas promovido pelo PL antifacção.

Impacto político e jurídico da decisão na tramitação e futuro dos vetos

A decisão de Alcolumbre de colocar o veto ao PL da dosimetria na frente de mais de 50 vetos pendentes no Congresso Nacional evidencia a importância política do tema e a capacidade do presidente do Congresso de influenciar a pauta legislativa. O episódio também destaca o conflito entre Executivo e Legislativo na interpretação das competências legislativas e práticas parlamentares, um aspecto sensível para a governabilidade e para o processo legislativo brasileiro. O Palácio do Planalto justificou o veto integral ao PL da dosimetria alegando inconstitucionalidade e defesa do interesse público para evitar retrocesso na proteção da democracia.

A repercussão dessa votação deve influenciar o debate político e jurídico nos próximos meses, com possíveis desdobramentos no Supremo Tribunal Federal e no Congresso, além do acompanhamento da sociedade civil e dos especialistas em direito penal e constitucional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo