Especialistas pedem políticas públicas mais firmes para reduzir danos sociais e proteger vítimas

Na França, o álcool é a principal causa de atendimentos de urgência e agrava a violência contra mulheres, gerando um custo social de €102 bilhões por ano.
O álcool representa uma das maiores ameaças à saúde pública e segurança na França, sendo apontado como a principal causa de atendimentos de urgência e internações hospitalares. Especialistas revelam que a bebida está diretamente ligada a episódios de violência doméstica e sexual, principalmente contra mulheres, elevando o custo social para mais de €102 bilhões por ano, equivalente a cerca de R$ 640 bilhões.
Impactos sociais e econômicos do consumo de álcool na França
Apesar da redução no consumo diário, o álcool gera impactos negativos que atingem diretamente a saúde, segurança e produtividade da população francesa. O presidente da Liga Contra o Câncer, Emmanuel Ricard, destaca que o álcool é responsável por 246 mil internações anuais e está relacionado a acidentes de trânsito, agressões e violência doméstica. O Observatório Francês de Drogas e Tendências de Adição aponta ainda que os custos totais incluem gastos públicos e perdas sociais, descontando impostos e benefícios previdenciários não pagos devido à mortalidade precoce.
Além dos custos financeiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o álcool esteja ligado a 800 mil mortes anuais na Europa, correspondendo a um em cada três óbitos por trauma e violência. Em particular, o álcool é um fator agravante na violência contra mulheres e crianças, aumentando o risco de agressões e abuso sexual.
Políticas públicas e educação: caminhos para redução dos danos
Especialistas nacionais e internacionais defendem a adoção de medidas mais rígidas para reduzir o consumo nocivo de álcool e proteger populações vulneráveis. Entre as propostas destacam-se:
Preço mínimo por unidade de álcool: medida já implementada em países como Escócia e Irlanda, visa desestimular o consumo excessivo por meio do aumento do custo.
Controle da publicidade: restrição à propaganda de bebidas alcoólicas para diminuir sua atratividade e consumo impulsivo.
Campanhas educativas: promoção da igualdade de gênero e combate à misoginia para enfrentar as raízes da violência contra mulheres.
Programas para desafiar normas de gênero rígidas: incentivo a relacionamentos saudáveis e redução de comportamentos agressivos.
Pesquisas apontam que o álcool não é apenas um fator isolado, mas que a combinação do consumo com normas sociais discriminatórias amplifica as chances de violência. A presidente do Coletivo Feminista contra o Estupro, Emmanuelle Piet, alerta que o álcool é usado por agressores para facilitar abusos e induzir culpa nas vítimas.
Serviço e segurança: enfrentando um problema estrutural
Para reverter o cenário alarmante, é fundamental que a França intensifique políticas públicas efetivas e invista em educação para desconstruir padrões masculinos tóxicos. A historiadora Lucile Peytavin destaca que desde a infância, meninos são ensinados a reprimir emoções e adotar comportamentos de dominação, que se manifestam sob o efeito do álcool com maior violência.
Medidas prioritárias para o enfrentamento incluem:
Implementação de preço mínimo do álcool em todo o país.
Restrição rigorosa à publicidade e promoção de bebidas alcoólicas.
Programas educacionais focados na promoção da empatia, comunicação e igualdade de gênero.
Apoio ampliado às vítimas de violência doméstica e sexual.
Ao integrar políticas de controle do álcool com ações para combater o machismo estrutural, a França poderá reduzir significativamente os atendimentos emergenciais, a violência contra mulheres e os elevados custos sociais associados.
Este cenário é um alerta para países que enfrentam desafios semelhantes na temporada atual, como Verão 2026, em que o aumento do consumo pode agravar essas questões de saúde pública e segurança. A conscientização e a ação conjunta entre sociedade civil e governos são indispensáveis para construir uma sociedade mais segura e justa.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: The New York Times





