Auxiliares do candidato pelo PL dizem aceitar gestos do ministro do STF antes do segundo turno, mas posição não é consensual

Auxiliares diretos de Flávio Bolsonaro afirmam que abrir processo de impeachment contra Alexandre de Moraes poderia ser repensado caso o ministro faça gestos concretos
Auxiliares diretos do candidato à Presidência pela legenda PL, Flávio Bolsonaro, afirmam que a abertura de um processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, poderia ser repensada caso ele faça “gestos concretos” nos próximos dez dias, antes do segundo turno.
A posição está longe de ser consensual no entorno de Flávio. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, considera o impeachment de Moraes “inegociável” e quer ser presidente do Senado na próxima legislatura justamente para levar adiante um processo contra o ministro. Outras pessoas próximas do candidato do PL, no entanto, veem espaço para composição.
O que move esse segundo grupo é o temor de que a agenda anti-STF paralise o país e tire o foco de um eventual governo Flávio no momento de maior capital político para fazer reformas, principalmente na área econômica. Para “aliviar” com Moraes, na avaliação desse grupo, é preciso que o ministro mande sinais claros de guinada em suas posições.
Casos em que os sinais poderiam ser dados, segundo esses interlocutores, incluem: destravar a dosimetria dos condenados pelo 8 de janeiro, cuja aplicação foi suspensa por Moraes em maio, até a análise de constitucionalidade pelo plenário do Supremo; abrir mão da presidência do STF a partir do segundo semestre de 2027, viabilizando a passagem de comando para o ministro Kassio Nunes Marques; dar recados de que acompanharia um eventual voto de Nunes Marques pró-soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no âmbito de uma revisão criminal, ou de que votaria a favor de anistia ou indulto.
Por ora, segundo esse mesmo grupo próximo a Flávio, os sinais foram muito tímidos e não configuram um redesenho de forças no STF capaz de mudar a tendência pró-impeachment, em caso de vitória de Flávio e com um Congresso que terá dois terços dos senadores favoráveis à cassação de ministros do tribunal. Moraes autorizou na semana anterior a progressão de pena de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, para o regime semiaberto. Também veio a público uma decisão sigilosa, proferida em setembro, de arquivamento das investigações contra o senador Marcos Do Val (Avante-ES) e os influenciadores bolsonaristas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio por suspeita de obstrução de Justiça e incitação a crimes.





