Os brasileiros sentiram um alívio no bolso em julho, com a inflação dos alimentos apresentando o segundo mês consecutivo de queda, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O recuo foi impulsionado por itens básicos como café, que teve uma baixa de 10,1%, e batata-inglesa, com uma expressiva queda de 20,27%.
O grupo Alimentação e Bebidas, que possui o maior peso no cálculo do IPCA, registrou uma diminuição de 0,27% em julho, após já ter apresentado um recuo de 0,18% no mês anterior. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa retração foi puxada pela queda de 0,69% nos preços dos alimentos consumidos em domicílio, ou seja, aqueles adquiridos em supermercados e feiras.
De um universo de 160 subitens analisados na categoria de alimentação no domicílio, quase metade (78 produtos) apresentou queda nos preços entre junho e julho. Em contrapartida, 80 produtos registraram aumento, enquanto apenas dois permaneceram estáveis no período. O preço do café moído, por exemplo, teve uma queda de 1,01% em julho, interrompendo uma sequência de 18 aumentos consecutivos.
Especialistas apontam que uma combinação de fatores contribuiu para esse cenário de deflação dos alimentos no Brasil. Entre eles, destacam-se as condições climáticas favoráveis, a desvalorização do dólar frente ao real e a expectativa de uma supersafra, que tem resultado em uma sobreoferta de alguns produtos no mercado interno.
“Todo produto que é negociado no mercado internacional, precificado em dólar, tem o seu preço afetado no Brasil. Em reais, esse produto acaba ficando mais barato”, explica Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Ele ressalta, no entanto, que a recente queda nos preços dos alimentos não está diretamente ligada ao aumento das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre alguns produtos brasileiros.
Para os próximos meses, a expectativa é de que a inflação dos alimentos volte a subir, porém em um ritmo menor do que o observado em 2024. “A gente tem uma gordura de safras boas que estão ocorrendo no meio do ano, acredito que o impacto seja menor”, prevê Dias. A professora de economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello, complementa que, no curto prazo, os preços podem continuar em queda, à medida que os produtores direcionam a produção para o mercado interno.
Vale lembrar que o IPCA, calculado pelo IBGE desde 1979, é o índice oficial de inflação do país e serve como referência para o Banco Central na definição da taxa básica de juros, a Selic. O índice mede a variação mensal dos preços de uma cesta de produtos e serviços, abrangendo diversas categorias como alimentação, transporte, habitação e saúde. O IPCA referente ao mês de agosto será divulgado no dia 10 de setembro.
Fonte: http://www.metropoles.com